quarta-feira, 13 de maio de 2009

A ética da ciberguerra

As novas tecnologias da informação e comunicação permitem, hoje, uma nova forma de guerra, com armas ainda mais assustadoras que as armas nucleares ou o terrorismo: a ciberguerra, uma nova geração de armas on line que permitem, por exemplo, sabotar e encerrar centrais eléctricas, redes de telecomunicações, sistemas de aviação ou congelar mercados financeiros de outro país. Nos EUA, desde a presidência de G.W. Bush, com algumas experiências efectuadas no Iraque e no Irão, debate-se sobre a possibilidade de desenvolver esse tipo de armas on line, com efeito defensivo, na tentativa de construir melhores defesas contra esses ataques e criar uma nova geração de armas online.

«As inovações mais exóticas que estão a ser consideradas permitiriam a um programador do Pentágono entrar sub-repticiamente num servidor russo ou chinês, por exemplo, e destruir um botnet - um programa potencialmente destrutivo usado para infectar computadores de uma vasta rede, que pode ser controlada clandestinamente - antes de este software nocivo poder ser libertado nos Estados Unidos. Os serviços secretos poderiam também activar um código malicioso que é secretamente incorporado em chips de computador durante o seu fabrico, permitindo aos Estados Unidos controlar os computadores dos inimigos por controlo remoto activado sobre a internet. Este, claro, é precisamente o tipo de ataque que os responsáveis receiam poder ser lançado contra alvos norte-americanos através de chips ou computadores fabricados na China.» (Via “i”.)

Ora, a questão que se coloca é a de saber até que ponto será legítimo o uso de um tipo de arma e de guerra assustadoramente desigual, tentacularmente dissimulada e que pode pôr em risco, de modo avassalador, bens e serviços essenciais e assim afectar a segurança e vida de milhões de pessoas, quando não minar, totalitariamente, a liberdade individual de um vasto número de cidadãos do mundo. A guerra, como actividade humana, também têm regras eticamente determinadas!

Depois da prisão sem julgamento e da tortura da Guantanamo de Bush, os E.U.A. de Obama enfrentam uma nova problemática, com contornos éticos altamente complexos, sobre a sua política de defesa.

1 comentário:

edgarafecto disse...

O problema de lutar contra o terrorismo, seja ele cibernético ou "real" é a dificuldade que o Estado tem em definir a linha ténue entre a proteção dos seus cidadãos e a invasão da privacidade/atentado à liberdade. Isto porque lutar contra o terrorismo não é a mesma coisa que lutar uma guerra convencional porque basta uma mão cheia de individuos com uma mão cheia de explosivos para causar o pânico generalizado.

Agora é como o professor disse, encerraram Guantánamo apenas para arranjar outro problema talvez ainda mais complexo porque põe em causa a liberdade de muita gente.
Abraço.