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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O que se passa com a ADD noutros países?

Neste momento, os professores portugueses estão preocupados com as alterações ao modelo de ADD. Alguns talvez excessivamente preocupados, quando talvez não estejam a ter o distanciamento crítico e serenidade necessários, que lhes permita verificar, sem mediação cega de sindicatos ou opinion makers, que as alterações propostas pelo governo talvez sejam, em geral, boas ou, pelo menos, que vão no bom sentido.

A minha posição é a de que estas alterações estão no bom caminho e que agora deveríamos passar a concentrar-nos noutras reformas de fundo no sistema educativo. O modelo de avaliação que começa agora a ser delineado vai no sentido de outros modelos há muito em vigor noutros países e, como naqueles, tem o intuito fundamental de contribuir para a melhoria do profissionalismo docente e, inevitavelmente, para a diferenciação qualitativa, promovendo e premiando a excelência. Melhorará o ensino e aprendizagem e dignificará a profissão.

A comparação com outros países é sempre uma forma de não nos sentirmos solitários. E num mundo globalizado, não parece colher mais o argumento das diferenças culturais e costumeiras dos portugueses, que só nos empurra para um país comodista, atrasado e pobre. Por exemplo, nos E.U.A., a preocupação é hoje a de melhorar os sistemas de avaliação de professores, muito semelhantes ao que está a nascer entre nós, sobretudo porque, veja-se, se pretende que o sistema de remuneração dos professores se baseie no desempenho profissional e não, como até agora tem acontecido, no tempo de serviço e graduação académica!

Veja-se um excerto de uma entrevista a Grover Whitehurst, director do Brookings' Brown Center on Education Policy (um think tank baseado em Washington, D.C.). E veja-se como nós estamos noutra fase, anterior (para não dizer atrasada!), da discussão – preocupados se somos ou não avaliados e como e porquê, quando deveríamos estar a passar esta página com alguma celeridade, com os olhos postos noutros aspectos essenciais do sistema educativo que exigem ser adaptados a um mundo exigente em que vivemos.


Seria, no mínimo, polémico em Portugal, não seria?! Mas talvez mais justo e motivador em termos profissionais, não? Talvez fosse bom tentar reflectir directamente nas ideias, com algum distanciamento e de modo menos preconceituoso e menos agarrado a bengalas cómodas (hábitos, sindicatos, partidos políticos…), para evoluirmos e fazermos evoluir o sistema educativo em Portugal.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

I got you! I await for you...

Os EUA terão morto Bin Laden. O líder fundamentalista, autor moral do atentado terrorista de infeliz proeminência na história, terá sido alvejado, esta madrugada, nas montanhas do Paquistão, com um tiro na cabeça. Exorcismo para o povo americano e até para uma boa parte do mundo ocidental, é também um reatear de um rastilho adormecido. Os EUA preparam-se já para uma eventual retaliação da ainda viva(?) Al-Qaeda. O fervor da guerra do terror reacende-se. 

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Americanização da cultura?

Um dos argumentos mais fortemente críticos do fenómeno da globalização, entrados que estamos numa fase altamente acelerada no último meio século, é o do perigo da homogeneização cultural – uma cultura (a ocidental, em particular a americana) disseminar-se-ia de tal modo, que se tornaria dominante, acabando por elidir toda a diversidade cultural, antropologicamente tão rica.

Mas antes de considerações axiológicas (ser bom ou mau), devemos atender a questões de facto – essa homogeneização parece não estar a acontecer, pelo menos nos moldes algo simplistas como os seus críticos inicialmente denunciavam.

Joel Waldfogel e Fernando Ferreira, da Wharton School (escola de gestão da Universidade da Pensilvânia), examinaram as canções que estiveram nas tabelas de música pop mais vendidas de 22 países, entre 1960 e 2007, e depois compararam a quota de cada país no mercado da música pop com a dimensão da sua economia.

Claro que os sucessos americanos dominavam, representando 51% dos discos vendidos durante este período. Mas ajustado ao PIB, a Suécia (quem não se lembra dos bem sucedidos ABBA?) lidera, seguida da Grã-Bretanha. Ao contrário da crítica que alerta para uma americanização da cultural, o que está a acontecer é que há mais pessoas em todo o mundo a ouvir música dos seus países de origem – os artistas estrangeiros representam agora, segundo o estudo, apenas 30% do top de cada país, bem menos do que os 50% registados nos anos 80.

É certo que os artistas mais populares em todo o mundo fazem música rock e hip hop com uma sonoridade tipicamente americana e ainda há uma nítida vantagem em cantar em inglês. Mas o referido estudo mostra que, no lugar de uma monocultura americanizada, os países mais pequenos estão a tornar-se intervenientes significativos no mercado mundial da música.

Fonte:
Joshua Keating, “O poder do soft rock. Terá o domínio cultural americano encontrado a sua Waterloo?”, Foreign Policy - Edição FP Portugal, n.º 18 (Outubro/Novembro 2010) 16.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

À espera de Obama

Barack Obama -- o 44.º Presidente dos Estados Unidos da América (resultados: Presidência, Senado e Câmara dos Representantes) -- prometeu uma mudança na política, tanto interna como externa, de uma das maiores e mais importantes democracias do mundo: ao nível da economia (o seu grande trunfo eleitoral), da fiscalidade, do sistema de segurança social pública (inexistente nos E.U.A.), da política externa. Mesmo que não venha a tornar-se um daqueles políticos visionários, tão raros quão vitais, já conseguiu, pelo menos, imprimir na sociedade americana um espírito, simultaneamente, (1.) de participação e envolvimento na política e (2.) de algum optimismo e mudança em tempo de profunda e séria crise económica e financeira interna e mundial. (Assim conseguissem outros líderes políticos na Europa e no mundo!) Conseguiu convencer a maioria dos americanos de que poderia ter melhores soluções para os problemas gravíssimos da américa e do mundo. A política é isso mesmo: convencer os outros de que temos as melhores soluções para a organização política da sociedade.

Resta agora aguardar -- decerto, ainda algum tempo -- pelos contornos, agora mais prosaicos, dessa mudança anunciada, embora tal mudança não deva ser assim tão grande, pelo menos não tanto quanto o entusiasmo da esquerda europeia esperaria. Ainda bem para todos que Obama vai governar ao centro!