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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Dar a pensar...

«Os autodenominados cruzados contra a “mistela do eduquês” criticam sistematicamente a escola de hoje por ser um antro que tresanda a facilitismo e festa. Primeiro, é preciso dizer que existem, de facto, práticas de facilitismo nas nossas escolas. (…) Mas, por agora, a questão é outra. Mais uma vez, o equívoco é tremendo, porque os que criticam o dito clima de facilitismo e festa que existe nas escolas, ao fazerem incidir a sua crítica quase exclusivamente nas escolas, deixam subentendida mais uma missão para a escola, que desta vez consistiria em combater o facilitismo e a festa que impera, isso sim e antes de mais, na sociedade portuguesa (e ocidental). Vejamos.

Facilitismo e festa! Mas haverá maior festa fácil do que aquela que a banca incentivou, na sociedade portuguesa, nos anos oitenta e noventa e na última década, massacrando as famílias e as empresas com o acesso fácil ao crédito, na hora e para todos? Todos, até os mais pobres, tinham que consumir o máximo, gozar ao máximo, mesmo sem dinheiro, tudo era fácil, facílimo. (…) O acesso ao consumo fácil, mesmo daquilo que não estava ao alcance de tantos milhares, gerou um clima de fácil acesso à “felicidade” terrena, que colocou os portugueses a viverem acima das suas posses e muito (muitíssimo!) para além do razoável. O risco atamancado em vez da prudência, o consumo desenfreado em vez da poupança, a festa fácil em vez da luta e do mérito. (…)

Facilitismo e festa! Mas haverá maior festa do que este aumento desmesurado e descontrolado da despesa pública do Estado, a que assistimos nos últimos quinze a vinte anos, gastando-se sem controlo o dinheiro que não temos para termos a festa que não conquistamos? Porque é que se aumentou descontroladamente a despesa pública estatal em educação, fazendo incidir esse aumento quase exclusivamente em vencimentos dos docentes, destruindo, como se fez, em meados dos anos noventa, as poucas exigências colocadas à progressão automática na carreira? (…)

Facilitismo e festa! Mas haverá maior festa do que aquela que os media promovem todos os dias, fazendo-nos chegar a casa a ideia de que subir na vida é fácil, basta ser estrela de cinema e ou de futebol ou jogar no “euromilhões”? (…) Não, não é preciso estudar, basta saber cantar ou dar uns chutos numa bola; não, não é preciso esforço, basta a sorte; não, não é necessário ser persistente e lutar, basta “conquistar” os favores das “estrelas” mediáticas. Os editores de jornais e revistas colocam todos os dias lixo nos escaparates, aos olhos de todos. Será assim tão difícil de perceber que esta escola mediática promove valores que, muito antes da escola (até aos seis anos), marcam profundamente as crianças e os jovens? Não se percebe que muitas famílias alinham neste modelo de vida que lhes é veiculado e nele estão acriticamente imersas, nele mergulhando as crianças e os jovens, muito antes de chegarem à escola e enquanto nela estudam? Mas são os mesmos media, quais virgens esvoaçando vestidas de branco, que veiculam as críticas mais ferozes e infundadas contra a escola de hoje, a dita escola da festa!
(…)
Facilitismo e festa! Mas estes senhores não vêem que a festa já se instalou por todo o lado e que e que já entrou no mais fino quotidiano, tendo as pessoas inclusivamente passado a saudar-se por um “Tá tudo?”, em vez de um simples e cordial “Bom dia!”. Não vislumbram que a festa fácil é o pão nosso de cada dia tanto das relações humanas, que se fazem e se desfazem, como das indiferenças perante as injustiças gritantes da nossa sociedade, como ainda do ocultamento do que é duro: o esforço, a luta honesta para construir um luar neste mundo, as injustiças, as desigualdades, a doença e a morte? Não está na cara que o mundo de hoje quer esconder tudo o que é difícil, em nome da festa do consumo fácil? (…)

Estamos a pagar o preço do bluff que resulta de considerarmos a modernidade como uma espécie de campo de felicidade onde o outro não tem lugar, uma sociedade sem a relação humana e o sofrimento (…).»

Azevedo, J. (2011). Liberdade e Política Pública de Educação. Ensaio sobre um novo compromisso social pela educação. Vila Nova de Gaia: Fundação Manuel Leão, pp. 63-6.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

O cerco à Grécia aperta.

O PM grego entrincheira-se num referendo. Instrumento democrático por excelência, o referendo é sempre bom quando não há mais solução política, quando os políticos eleitos não são mais capazes de resolver os problemas; assim, coloca-se nas mãos do povo o ónus de resolver os problemas. Mas acontece (é um facto) que, em geral, as populações de alguns países, notavelmente do sul da Europa, (ainda?!) não têm a atitude política e o nível de conhecimentos suficientes para se envolverem numa democracia mais participativa (e menos ainda numa democracia deliberativa) e, por isso, quando são chamados a resolver problemas complexos como os que vivemos neste início de século, tornam a solução num resultado de uma roleta russa. Veja-se, entre nós, como é muito comum ouvirem-se os atores das “novelas informativas” de massas, em que, supostamente, se discutem os problemas políticos essenciais, dizerem coisas como “eu não sou economista…” ou “eu não percebo nada de economia…”, “…mas acho que…”: não se sabe, mas quer-se ter uma influência credível! (Não é preciso ter conhecimentos avançados de lógica, para perceber a contradição.) A ditadura da opinião impera, pois, como se não saber não fosse impeditivo de opinar sobre questões tão fulcrais e sérias.

Há quem diga que a União Europeia sabia do referendo grego e seria uma estratégia para pôr o povo grego, decididamente, na linha… da austeridade, da poupança e de uma vida mais simples e comedida, mais esforçada, para ver se a Grécia sai do caos – se o “sim” à permanência da Grécia na zona Euro ganhasse (com continuação da austeridade), seria uma legitimação importantíssima e uma responsabilização oportuníssima de todo o povo grego perante os esforços coletivos necessários, como último gesto salvífico.

De qualquer modo – quer seja uma iniciativa isolada de Papandreou, quer concertada com a UE – penso que se trata de uma cobardia política: do PM grego, que se refugia na responsabilização de um povo com poucas condições para ser, agora, responsável e da UE, que vai a reboque em mais um sinal de incerteza e indecisão, que tem arrastado todos os europeus, principalmente os que habitam os países menos desenvolvidos e com mais problemas económicos e financeiros, como Portugal, Irlanda e a própria Grécia.

O referendo, se funcionasse (o que não é líquido), até seria uma solução, perfeitamente legítima. Mas o problema não pode esperar mais: quem emprestou, não pode esperar mais; quem investe, não pode esperar mais; as economias dos países mais vulneráveis da Europa não podem esperar mais por crédito finalmente a preços exequíveis. A solução grega (europeia!) terá que passar por um governo novo, de unidade nacional, mas também por alterações essenciais nas estruturas governativas da UE, para garantir mais estabilidade económica e financeira em toda a União, principalmente nestes momentos de crise económica.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Indignados ou o prazer de olhos vendados?

Numa entrevista televisiva de hoje, uma das manifestantes de jovens indignados queixava-se da vida: três aulas por semana numa escola e mais umas aulas de música a recibos verdes; € 400 mensais; a tragédia completa-se quando a geração dos seus pais, com a sua idade (trinta e poucos) já tinha uma casa e os filhos quase criados.

Pois. Esquece-se a jovem indignada que a geração dos seus pais, por falta de emprego, mas também de qualificação (o que “parece” nem ser o caso, hoje!), teve que emigrar; e foi com francos ou marcos, que receberam em troca de trabalho árduo (não emprego estável, no Estado, a polir as esquinas dos gabinetes), que construíram o seu quarto de bonecas!

Vivemos uma crise económica e financeira e os ditos "jovens indignados" ainda não se aperceberam que também vivemos uma crise atitudinal – a “geração à rasca” dos agora supostamente indignados cresceu num limbo atordoante de miragens facilitistas, hiperconsumistas e de vida enlatada, pronta a servir, do qual dificilmente vão sair em tempo útil.

O que mais me preocupa (não, não me surpreende – preocupa, mesmo!) é a total desfaçatez face à realidade de uma quantidade enorme de jovens (não são todos, obviamente) desta dita “geração à rasca”. Além de terem uma total ausência de conhecimentos de economia (teórica e prática!) – o que, nos dias de fast food educativo que correm não causa grande admiração – ainda conseguem não ter, muito natural e desavergonhadamente, qualquer proposta alternativa exequível, justa e minimamente refletida ao atual status quo.

O capitalismo está em crise. Mas talvez nunca se tenha visto uma esquerda (ou o que resta dela) intelectualmente tão esvaziada de ideias, uma sociedade civil tão ineficaz analiticamente e, consequentemente, movimentos contestatários tão (desculpem, mas…) ridículos.

Eles teimam em não tirar a venda dos olhos. Mas como necessário é começar por ver...

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

E se Portugal já não existir daqui a 50 ou 100 anos?

Eis mais uma análise lúcida e descomprometida de António Barreto. E se Portugal já não existir daqui a 50 ou 100 anos? De facto, pode acontecer que, daqui a umas décadas, o nosso país deixe de existir tal como o conhecemos, esteja integrado numa Europa institucionalmente diferente e que, para tal, muito tenha contribuído a nossa (in)acção inconsciente, mas decisiva. Afinal, tudo o que (não) vamos fazendo enquanto povo pode ir num sentido de uma entropia irreversível!

Já tive mais razões para ser otimista. Mas continuam teimosamente a ressoar em mim as palavras sábias do filósofo austríaco Karl Popper: «sou um otimista, porque não vale a pena ser mais nada.»

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Sobre a contratação generalizada de professores pelas escolas

Numa (benvinda) fase de reforma liberalizadora do sistema educativo, seria interessante, no entanto, proceder a uma apreciação crítica adequada à nossa realidade. Por exemplo, a previsível contratação de professores directamente pelas escolas/directores é um bom sistema, em abstrato, mas não funcionará adequadamente, em particular, em muitas escolas portuguesas, porque:

- alguns directores (demasiados?) funcionam numa lógica imbecilmente partidária, amiguística, tribal até e, em geral, não percebem nada de educação e organização educativa (não mais do que qualquer outro professor mediano), para além de lhes faltar espírito de serviço e outros preceitos éticos;

- alguns autarcas (demasiados?), agora representados no Conselho Geral das escolas (conselhos de administração), também não estão lá para pensar no futuro daquelas crianças e jovens, mas no modo como vão continuar a exercer um poder cada vez mais alargado sobre os seus concidadãos ignorantes e dependentes (que bela democracia!);

- alguns pais (demasiados?), representados naquele mesmo conselho, não têm ainda capacidade e conhecimentos para exigir os melhores professores, porque não percebem o verdadeiro valor da educação para os seus filhos e, também eles, estão completamente manietados pelo poder político local, uns parecendo mesmo delirar com tal jogo deprimente e todos, de qualquer modo, incapazes de se libertarem de tais grilhões.

A não ser assim, muito naturalmente que uma maior autonomia das escolas aumentaria a qualidade do serviço prestado, pois, sendo o director alguém sapiencialmente qualificado e motivado para a área da educação e gestão escolar (e não para outra coisa qualquer!), escolheria os melhores professores para a sua escola, exigiria os melhores resultados possíveis, em constante diálogo com cada professor ou grupo de professores e, assim, estaria em posição de apresentar um verdadeiro serviço público de educação e ensino aos seus destinatários – a sociedade, em geral, e a comunidade local, em particular.

Mas isto, como é sabido, é ainda uma miragem no nosso país. De qualquer modo, também é verdade que não podemos continuar sentados, a apontar - pateticamente risonhos ou inconsequentemente zangados - as desgraças da nossa própria sociedade. É imperioso começar a desbravar caminho em direcção à civilização… por muito esforço e desalento que tal envolva!

P.S.: Texto adaptado a partir de um comentário a este post do Profblog, de Ramiro Marques.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Estamos em primeiro... mas não estamos!

Pelo estudo revelado hoje pela OCDE, Portugal está entre os primeiros países com a taxa de conclusão do ensino secundário mais elevada. Claro que isto apenas acontece devido ao programa "Novas Oportunidades", que tem, supostamente, "qualificado" centenas de pessoas, de todas as idades, com uma equivalência, entre outras, ao 12.º ano de  escolaridade.

O MEC, Nuno Crato, já disse que não se pode fazer uma leitura apressada desses números, justamente porque o programa "Novas Oportunidades" não tem qualificado, efectivamente, os portugueses. Em vez disso, tem, sobretudo, concedido diplomas de equivalência de estudos, que na esmagadora maioria não foram realizados com a profundidade e rigor suficientes, para que se possam comparar com o nível secundário de qualificação. Pena é que a OCDE, organização altamente credível, não tenha já em conta este tipo de malabarismos políticos, que inquinam os resultados de estudos tão importantes para os governos dos países fazerem correcções e prosseguirem na senda do progresso, neste caso educacional e de qualificação dos seus cidadãos.

Em suma: estamos em primeiro, sem estarmos em primeiro! Que bom!

Também nesta matéria, este governo terá de percorrer um longo e árduo caminho na senda da verdade, sem melindrar ninguém, mas também sem enganar ninguém. Afinal, o que seria desejável para todos -- sobretudo para os directamente implicados, aqueles que não puderam concluir o ensino secundário em devido tempo -- era esforçarmo-nos todos (governo, escolas, professores e alunos) para se conseguir uma efectiva qualificação média, equivalente, de facto (embora com as devidas adaptações), ao ensino secundário.

Anexo para reflectir, porque há, desafortunadamente, um lado realista nesta anedota, de algum modo representativa de uma parte de um país em que o que vale reduz-se a futebol e miúdas "boas":

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Racionalização do sistema educativo

Nuno Crato começa a tomar medidas de racionalização do sistema educativo. A extinção das DRE's é uma delas. Tratava-se de organismos intermédios que exerciam controlo sobre as escolas e lhes prestavam apoio. A ideia é, por um lado, aumentar a autonomia das escolas e, por outro, garantir-lhes o apoio necessário através de estruturas mais simplificadas. Ganha-se na redução da despesa e na simplificação administrativa. Finalmente.

Outra ideia na forja é a da descentralização da contratação de professores. Trata-se de um processo altamente centralizado e, por isso, moroso e dispendioso. A ideia é a de serem as próprias escolas a contratar todos os professores, retirando esse peso ao Ministério. Caberá à administração da escola desenhar os termos dos concursos e seleccionar os professores com o curriculum e o perfil adequados para os lugares. Este processo existe há muito noutros países. Contudo, a consciência ética e a própria vivência de autonomia nem sempre serão idênticos entre nós. É preciso que quem esteja à frente das escolas tenha a capacidade ética para contratar os melhores e não apenas os mais subservientes, os do partido ou os "amigos das patuscadas"!

A propósito da sempre difícil autonomia, cabe dizer que é fora da gaiola que o pássaro reaprenderá a voar, é certo. Mas suspeito que se dará muitas cabeçadas. De qualquer modo, não só não se pode continuar, em toda a sua plenitude, com um despesista sistema centralizado, como é o Ministério da Educação, como também é hora das populações começarem a suportar, democraticamente, uma efectiva autonomia das escolas, enquanto instituições importantíssimas para a sua existência. Como? Prestando bem atenção sobre quem serão os profissionais, por si eleitos, mais bem preparados para dirigir as escolas e assim organizar instituições que tornem os seus filhos em adultos verdadeiramente bem educados e instruídos!

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Responsabilidade intelectual, a propósito das críticas à ADD

Nem todas as emendas feitas à ADD pelo Ministério de Nuno Crato foram acertadas. O caso dos contratados não poderem aceder ao "excelente" é, obviamente, um desses casos, medida que apenas tem uma explicação economicista, compreensível, mas muito dificilmente aceitável. As quotas são, legitimamehte, um tema altamente discutível, pela injustiça que criam.

Mas, tirando mais um ou outro pormenor perfectível, penso que que as emendas vão no bom sentido. Por entre tantas críticas, muitas delas altamente ferozes, só ainda não consegui compreender que outro tipo de avaliação de professores poderíamos ter! Por exemplo, o que seria uma avaliação de desempenho docente sem a utilização do conceito de supervisão? Esta é uma das críticas predilectas de muitos, que talvez não dominem efectivamente o conceito (Terão frequentado o curso errado? Na instituição errada? Não terão consultado, criticamente, sequer um livrozito ou mesmo um sitezito que os esclareça? Qual a efectiva relação dos actuais professores com o conhecimento? Será tudo eduquês, por muito que muitos nem sequer saibam o significado do neologismo?)

Seria muito mais elevado e consonante com a actividade profissional de professor e concomitante responsabilidade intelectual, que se sugerissem formas de gerir a escola que temos hoje, as aprendizagens que temos e as que queremos e temos necessidade de ter e, portanto, neste caso, que se sugerissem modelos de aperfeiçoamento da actividade docente. Ou seremos sempre, todos, excelentes e, por isso, deixa andar assim que está tudo bem?!

Noutros países evoluidos vigoram sistemas de avaliação de professores que se baseiam (entre outros princípios, que começam agora a tomar forma neste nosso modelo revisto) no auxílio da supervisão para melhorar desempenhos profissionais. Será que por cá os simiescos vícios humanos (como as velhas inveja ou preguiça) inviabilizarão qualquer passo evolutivo?

É responsabilidade de cada um fazer o seu exame de consciência, mesmo não havendo deus, qual papá, para nos controlar!

P.S.: a juntar à inveja e preguiça há ainda a salientar a bonita (fica sempre bem) incapacidade de reconhecer o trabalho meritório dos outro, de aproveitar os seus contributos para melhorar o nosso e de querer fazer como eles!

(Este texto foi por mim previamente colocado como comentário a este post, no profblog.)

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O que se passa com a ADD noutros países?

Neste momento, os professores portugueses estão preocupados com as alterações ao modelo de ADD. Alguns talvez excessivamente preocupados, quando talvez não estejam a ter o distanciamento crítico e serenidade necessários, que lhes permita verificar, sem mediação cega de sindicatos ou opinion makers, que as alterações propostas pelo governo talvez sejam, em geral, boas ou, pelo menos, que vão no bom sentido.

A minha posição é a de que estas alterações estão no bom caminho e que agora deveríamos passar a concentrar-nos noutras reformas de fundo no sistema educativo. O modelo de avaliação que começa agora a ser delineado vai no sentido de outros modelos há muito em vigor noutros países e, como naqueles, tem o intuito fundamental de contribuir para a melhoria do profissionalismo docente e, inevitavelmente, para a diferenciação qualitativa, promovendo e premiando a excelência. Melhorará o ensino e aprendizagem e dignificará a profissão.

A comparação com outros países é sempre uma forma de não nos sentirmos solitários. E num mundo globalizado, não parece colher mais o argumento das diferenças culturais e costumeiras dos portugueses, que só nos empurra para um país comodista, atrasado e pobre. Por exemplo, nos E.U.A., a preocupação é hoje a de melhorar os sistemas de avaliação de professores, muito semelhantes ao que está a nascer entre nós, sobretudo porque, veja-se, se pretende que o sistema de remuneração dos professores se baseie no desempenho profissional e não, como até agora tem acontecido, no tempo de serviço e graduação académica!

Veja-se um excerto de uma entrevista a Grover Whitehurst, director do Brookings' Brown Center on Education Policy (um think tank baseado em Washington, D.C.). E veja-se como nós estamos noutra fase, anterior (para não dizer atrasada!), da discussão – preocupados se somos ou não avaliados e como e porquê, quando deveríamos estar a passar esta página com alguma celeridade, com os olhos postos noutros aspectos essenciais do sistema educativo que exigem ser adaptados a um mundo exigente em que vivemos.


Seria, no mínimo, polémico em Portugal, não seria?! Mas talvez mais justo e motivador em termos profissionais, não? Talvez fosse bom tentar reflectir directamente nas ideias, com algum distanciamento e de modo menos preconceituoso e menos agarrado a bengalas cómodas (hábitos, sindicatos, partidos políticos…), para evoluirmos e fazermos evoluir o sistema educativo em Portugal.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Desejáveis aperfeiçoamentos futuros à ADD

A proposta de alteração à actual ADD não só está longe de ser perfeita (dizê-lo, não tem grande significado pragmático), como (e é isto, sobretudo, o que interessa) é perfeitamente perfectível. Creio que, mais tarde (próxima legislatura?), quando este tema da avaliação docente tiver serenado, haverá condições para introduzir alterações nesta proposta no sentido de intensificar o seu carácter formativo e alargar a sua aplicação.

Assim, embora compreenda esta moratória (dar passos pequenos e seguros é uma regra de ouro em reforma educativa), seria desejável a obrigatoriedade de mais observação de aulas nos primeiros escalões, já que a observação (supervisionada) de aulas é o verdadeiro instrumento avaliativo, com mais virtualidades formativas e de maiores consequências para o aperfeiçoamento profissional e, portanto, logicamente com mais eficazes consequências para a melhoria das aprendizagens dos alunos.

Na proposta actual, apenas haverá lugar a observação de aulas no ano probatório (que, depois de um estágio e de uma prova de ingresso na profissão será o culminar de um sólido início de carreira), no final do 2.º e 4.º escalões e, em qualquer altura, como requisito para obtenção de excelente. (A crítica de que esta alteração não premeia o mérito não é completamente justa, já que ninguém poderá ser considerado um excelente professor sem que isso não resulte da observação das suas aulas, núcleo central da sua actividade de excelência.) No entanto, creio que, numa lógica formativa, seria mais benéfico para a formação do professor no início de carreira, introduzir a obrigatoriedade da observação de aulas também no final do 1.º escalão, para não deixar passar tanto tempo sem observação de aulas (passar de um intervalo de 7 anos – demasiado –, para 3 anos).

A meio da carreira reduzir-se-ia a obrigatoriedade de observação de aulas (como na proposta actual – apenas na passagem ao 5.º escalão), pressupondo uma certa maturidade profissional e menos necessidade de auxílio de uma supervisão das actividades lectivas.

No final da carreira – tendo em conta todo este percurso formativo contínuo –, talvez fosse dispensável a obrigatoriedade de observação de aulas. E a própria avaliação interna poderia até deixar de fazer sentido no último ou últimos escalões (passando a facultativa), devendo no entanto ser mais exigente do que a actual proposta do governo: isenção apenas para docentes com uma maioria de classificações de muito bom ou excelente ao longo da carreira.

Naturalmente, mantendo a exigência da observação de aulas para a obtenção de excelente, em qualquer altura.

Mas tudo isto apenas faz sentido, se se laborar num paradigma de uma avaliação supervisionada (profissionalizada, feita por professores com formação científica mais elevada e com formação na área da supervisão – deixemo-nos de invejas primárias!), que anteceda os momentos de avaliação classificadora. Bem como apenas fará sentido se se acreditar na perfectibilidade orientada do docente (inclusive dos melhores!). Para tudo isto é preciso perceber que nem toda a Ciência da Educação é inútil (o tal “eduquês”, naturalmente a evitar!) e que há, por esse mundo fora, tentativas perfeitamente legítimas e muito úteis de produzir conhecimento na área da educação, quer ao nível da pedagogia em geral, quer ao nível das didácticas específicas.

Tenham os professores vontade de viver em abertura intelectual e crítica para com a progressão dos conhecimentos na área da educação e na sua área científica, muitos desses conhecimentos mediados por colegas especializados na investigação de tais progressos e cuja função é partilhá-los sistematicamente, que tal muito contribuirá certamente para a melhoria das suas práticas… que é o que todos queremos!

As críticas ao novo modelo de avaliação de professores

A proposta do governo de alteração da avaliação de desempenho docente (ADD), enviada aos sindicatos no dia 12 de Agosto, tem sido muito criticada por muitos professores. Há críticas para todos os gostos: a avaliação externa proposta (avaliadores de outras escolas) não resolve os problemas de parcialidade; os futuros avaliadores não terão qualificações suficientes para avaliar os colegas; deixar cair a dimensão ética, não é… ético; não se deveria isentar da avaliação os professores em final de carreira; entre outras. Os sindicatos, no seu interesse de sobrevivência política institucional, ainda somam a inadmissibilidade da existência de quotas. Fica a sensação, contudo, que se trata de crítica interessada – não querer avaliação, do lado de alguns professores (embora por várias razões); fazer oposição ao governo, do lado dos sindicatos, tentando travar a estratégia de Nuno Crato na tentativa de resolução deste problema e procurando algum protagonismo e mediatismo políticos.

Nos últimos dias tem crescido na blogosfera um movimento crítico das alterações propostas, mas, genericamente e com algumas excepções, com baixa qualidade argumentativa, com falta de capacidade globalizadora e sistemática (esquivando-se de uma perspectiva conjunta, refugiam-se facilmente na crítica parcelar), pobreza geral de ideias e, por vezes, deixando transparecer a perigosa ideia de que seria recusável qualquer tipo de avaliação mais exigente e eficaz.

Psicologicamente, compreende-se que muitos professores preferissem deitar completamente abaixo o actual modelo e erigir um novo. Mas a conjuntura exige que nos concentremos também noutras alterações importantes no sistema educativo – e o tempo urge – e as alterações propostas por Nuno Crato ao modelo de ADD são perfeitamente razoáveis e, além disso, vão ao encontro das principais reivindicações de muitos dos professores que defendem uma avaliação séria: menos burocrática, mais espaçada no tempo, conjugando avaliação interna com externa; formação específica para avaliadores; isenção de avaliação para professores em final de carreira.

O ministro Nuno Crato está a procurar um modelo negociado, para depois se dedicar a outras questões fundamentais do sistema educativo. É assim que deve ser e a conjuntura o exige. Negociação implica cedências de parte a parte. Mas esta negociação, nesta conjuntura económica, exige uma particularmente grande responsabilidade e um quase transcendente (para não dizer, infelizmente, quase impossível) sentido de serviço da parte de todos: governo, sindicatos e professores. Afinal, o que todos deveríamos querer era a melhoria integral do sistema educativo, com melhores condições de trabalho profissional para os professores (uma avaliação formativa e qualificada seria um bem para todos: melhorando tanto bons como maus professores – afinal é essa a utilidade da ADD!), com consequentes melhorias nas aprendizagens dos alunos e, consequentemente, maior progresso sócio-económico-cultural para a sociedade portuguesa.

Nesta fase, não basta fazer críticas esparsas e que denotam interesses menos legítimos – exige-se ou um modelo alternativo concreto ou contributos para aperfeiçoar a proposta do governo. Espera-se, pois, responsabilidade, bom senso e sabedoria.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Boicote à racionalização da educação em Portugal

Nuno Crato, o Ministro da Educação e Ciência, está a tentar "arrumar a casa". Mas, ao que parece, as direcções gerais -- organismos intermédios do MEC -- poderão estar a boicotar as reformas e alterações racionalizadoras do sistema, que Nuno Crato está a levar a efeito.

Dois exemplos: há dois dias, era para acabar com os cursos de Educação e Formação de Adultos, ontem as escolas receberam um email a determinar a continuação destes cursos; há dois dias, o concurso por destacamento por ausência de compenente lectiva (DACL), a que muitos professores efectivos terão de recorrer por falta de horário, realizar-se-ia de 27 de Julho e 2 de Agosto, ontem foi alterada a data e passou a ser de 1 a 5 de Agosto.

Sera crível que estes avanços e recuos tenham sido ordens directas do MEC? Pelo contrário, Nuno Crato parece uma pessoa bastante determinada, coerente e racional para ter cometido tais erros. Trata-se, certamente, de boicote protagonizado por essa corja de luminárias que gravitam nessas direcções gerais em torno do empregozito e da militância partidário-ideológica e que, tal como fizeram a David Justino -- outro ME verdadeiramente reformista --, estão a tentar impedir, terroristamente, o trabalho honesto, rigoroso e racional de "arrumar a casa", uma casa que vive há muito numa bagunça insana.

Solução: o Ministro Nuno Crato terá que afirmar a sua autoridade e começar a arrumar a casa desde cima!

domingo, 10 de julho de 2011

Chamamento onomástico


Sócrates, o filósofo grego, questionava os jovens atenienses sobre o bem, a justiça -- a vida boa. Qual "moscardo", na expressão do inclassificável Nietszche, Sócrates, o filósofo grego, dedicava-se com paixão à filosofia, porque queria saber a verdade -- sobretudo, o que é, efectivamente, viver bem -- e conduzia os jovens com ele, porque queria levar os outros a prescrutá-la. Pensou até à morte, fez pensar e inspirou, não só Platão, mas toda uma civilização, a nossa, que ainda hoje prossegue na senda da verdade e dos mais eminentes e profundos valores humanos, do bem, do belo, da justiça.

Sócrates, o ex-Primeiro Ministro português, pediu licença sem vencimento na Câmara da Covilhã, onde detém o lugar de engenheiro técnico, para ingressar numa instituição universitária internacional. Vai estudar filosofia para Paris. Quando, há uns dias, soube desta revelação socrática, pensei em José Sócrates numa daquelas imensas salas da altiva Bibliotheque François Miterrand, a desfolhar L'Homme Revolté ou Le Mithe de Sisiphe, de Albert Camus, a embrenhar-se na dialéctica de Être et le Néan, de Sartre, ou a reflectir no problema ético com Soi-Même Comme an Autre, de Ricouer, sempre com l'inspirant de la Senne para lá das vidraças. Quando muito, a perder-se em movimentos descendentes e ascendentes pelas monumentais escadarias da galáctica Bibliotheque, com o vento na face, a pensar, com Camus, como, «em política, são os meios que justificam os fins»!

Mas, nunca me ocorreu que Sócrates, o ex-Primeiro Ministro português, fosse para a Sorbonne... participer à la Philosophie! Pensar nos erros -- sobretudo, de caracter ético -- cometidos nos últimos anos? Aprofundar a arte retórica?! Ou, quiça même, desbravar um novo e exaltante filão do pensamento filosófico-político contemporâneo...

Seja como for, trata-se de um verdadeiro e raro "chamamento onomástico", que leva Sócrates, o ex-Primeiro Ministro português, na peugada de Sócrates, o filósofo grego,... à Paris!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

No melhor pano cai a nódoa!

A ex-Ministra da Educação foi acusada pelo DIAP de Lisboa do crime de prevaricação, por ter contratado ilicitamente João Pedroso – investigador universitário e irmão do ex-dirigente do PS, Paulo Pedroso – para consultor jurídico do Ministério da educação, entre 2005 e 2007:

«A acusação salienta que os contratos foram feitos com violação das regras do regime da contratação pública para aquisição de bens e serviços. «Tais adjudicações, de acordo com os indícios, não tinham fundamento, traduzindo-se num meio ilícito de beneficiar patrimonialmente o arguido João Pedroso com prejuízo para o erário público, do que os arguidos estavam cientes» -- afirma, em comunicado, a Procuradoria-geral-distrital de Lisboa.»

Que chatice! Afinal, pessoa tão qualificada e de estatura moral elevada também foi enredada na teia dos favores que o estado socialista foi prestando aos seus apoiantes, que se serviram do país para enriquecer, já que pouco ou nenhum serviço de qualidade acabaram por proporcionar em troca. A comprovar-se, é vergonhoso!

No melhor pano também cai a nódia, principalmente quando não parece haver uma preocução especial por se não macular!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Novo governo

Já é conhecida a constituição do XIX Governo Constitucional. A minha primeira reacção vai para uma surpresa, que me deixa francamente muito expectante e até com um certo entusiasmo -- Nuno Crato é o novo Ministro da Educação!

Nuno Crato tem um pensamento claro acerca da educação, no sentido de valorizar o esforço e o rigor de todos para uma aprendizagem real, verdadeira de todos e tem sido um crítico activo, nos últimos anos, das políticas educativas socialistas, que têm deprimido a educação e o ensino em Portugal, com o facilitismo desumanizante que introduziram.

Além de alguém com pensamento fundamentado sobre educação e ensino, é alguém com experiência, justamente, de ensino (embora, apenas a nível do ensino superior), não só em Portugal como nos E.U.A., o que lhe poderá servir de mais valia para o seu trabalho de reorganizar o ensino em Portugal.

Depois, a sua distância face aos partidos, a sua independência partidária, pode promover um distanciamento saudável e necessário face a grupos de pressão, tornando mais eficaz as reformas que são imprescindíveis.

Esperamos que tenha o savoir-faire estritamente político para explicar as medidas e persuadir os principais agentes -- professores e pais -- da sua necessidade e justeza.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Inginheiro-pseudogestor persuasivo, precisa-se!

Engenheiro deformação (peço desculpa, esqueci-me do espaço!), exímio gestor de dinheiros públicos (também só vai "representar" dinheiros privados!), não há dúvidas de que José Sócrates poderia ser um excelente representante de grandes empresas brasileiras em ascensão no mundo junto de Portugal e da EU!

Claro que o interesse reside nos conhecimentos diplomáticos que Sócrates acumulou nos últimos 6 anos e também no pressuposto de que os negócios serão melhores se estiverem perto da política, o que é uma perversidade que ainda move os grandes interesses económicos e faz babar (e enriquecer) os políticos.

Afinal, Sócrates vai mesmo tratar da sua vida. Não há motivo para preocupações.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

A noite eleitoral

O PSD teve uma clara vitória, apesar de ter ficado aquém da maioria absoluta. Afinal, Passos Coelho sempre conseguiu fazer o (primeiro) favor ao país de, para já, ter destronado José Sócrates do poder. Parece ter galvanizado as pessoas e parece ter um espírito combativo, as qualidades para travar o combate de vencer as adversidades em que estamos mergulhados e espera-se agora que detenha também a tão necessária mestria de escolher os melhores, para formar o próximo governo.

O PS, honrosamente ou não, perdeu. Fica a demissão de Sócrates de Secretário-Geral do partido, num discurso desadequadamente longo -- narcísico --, soberbo de emoções quanto baste e, proclamado como que por um guru religioso, apoteótico (imagine-se se tivesse ganho!), a alimentar o transe hipnótico dos acólitos até ao último estertor. (Estes, embriagados pelo discurso do líder espiritual, até apuparam os jornalistas quando estes exerciam o seu livre múnus de perguntar -- a hipnose não os deixou recordarem-se de um dos tão caros valores socialistas: a liberdade de expressão e de imprensa!) Fica também o insólito: um dos candidatos a suceder a Sócrates, ainda teve tempo para descer do elevador do Altis e "anunciar", sobre o cadáver fumegante do Secretário-Geral demissionário do seu partido, a sua própria candidatura!

O PP de Portas, apesar da excessiva vaidade que o vem caracterizando, conseguiu, não ser eleito Primeiro-Ministro, mas um bastante bom resultado, a proporcionar uma confortável maioria com o PSD. De bicos de pés, lá foi espreitando com força para dentro do próximo governo. Mas a relação de forças não é significativamente diferente da última coligação. Há que ir com calma e responsabilidade.

A esquerda foi a grande derrotada da noite. Afinal, os "partidos da troika" foram alvo das preferências de 80% dos eleitores, o que prova que apenas uma franja cada vez mais pequena do eleitorado embarca ainda no julgamento sumário e niilista do liberalismo com  preocupações sociais, que parece alicerçar, apesar de mais uma crise, o seu trilho no caminho da história. Apesar da CDU ter tido um resultado bom (mais um deputado), Louça terá que lançar um debate de ruptura numa força política a perder a força e em perigo de implusão.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

"Não gostei do que disse"

José Sócrates esteve presente numa conferência ("Governar Portugal") e até respondeu a perguntas de empresários. Um deles, aproveitou para tecer críticas à sua governação e estilo de fazer política, afirmando mesmo sobre Sócrates: "os seus actos não reflectem as suas palavras" (seguida de apláusos por grande parte da plateia).

Sócrates não gostou: "Não gostei do que disse. Eu faço o meu melhor para que os minhas palavras respondam sempre aos meus actos". Mas o "animal político" não se ficou por aqui e não perdeu oportunidade de vincar o seu estilo: "não lhe reconheço nenhuma autoridade moral para me dizer que as suas palavras correspondem melhor aos seus actos do que as minhas".

José Sócrates, eleito democraticamente PM, não reconhece autoridade moral a um cidadão de um país democrático, cuja constituição, que Sócrates jurou cumprir, prevê uma ampla liberdade política e de expressão. A contradição é clara. E o estilo de Sócrates também: anti-democrático!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

"Tendência para o 'fast-food' educativo"

As palavras são de Manuel Maria Carrilho referentes a José Sócrates, acerca da sua concepção de educação, que subjaz, nomeadamente, a uma certa forma de utilizar o programa Novas Oportunidades para criar a ideia artificial e enganosa de qualificação e instrução, que tem é que ser rápida e indolor. A questão não é, naturalmente, impedir o reacesso de adultos à escolarização, à instrução e qualificação, o que seria absurdo; a questão é que Sócrates tem passado a ideia nefasta de que aprender, saber é algo demasiado fácil e rápido. Nada mais afastado da realidade: aprender nem sempre é fácil e quanto maior for a rapidez, tanto mais baixa será a qualidade.

Quando é um socialista a afirmar esta ideia, crítica, mas muito simples e intuitiva, o argumento de Sócrates segundo o qual Passos Coelho ofende pessoas quando critica estas Novas Oportunidades cai completamente por terra -- afinal, há ideias importantíssimas para o país em discussão; é pena que a Sócrates não lhe interesse discuti-las!

Novas oportunidades para entrar em Medicina!



Afinal, qualquer pessoa com o mínimo de bom senso (sim, pois, é coisa que não abunda, eu sei...), concordará que alguma coisa está errado com estas Novas Oportunidades; porque, no mínimo, parece ser um processo que cria várias injustiças; no máximo, é mais um contributo para a degradação do ensino e disseminação da cultura em Portugal. Mas isto são radicalismos ideológicos, sectarismos de classe ou, mais subtilmente, pessimismos incómodos! São, são!