sexta-feira, 29 de julho de 2011

Imbecis candidatos a doutores

Saber sempre foi difícil, embora também um prazer, para alguns. A dificuldade consiste num conjunto de actividades cognitivas que conduzem à aprendizagem. Aprender, mesmo, exige empenho, dedicação, esforço. Numa era da superficialidade, do comodismo, do facilistismo educacional, da desvalorização de princípios ético-sociais basilares assomam os comportamentos desviantes face à regulamentação que gere as aprendizagens.

Depois de candidatos a magistrados terem tido conhecimento prévio do teste de conhecimentos que iriam realizar -- protagonizando, juntamente com os órgãos directivos do CEJ, uma das maiores vergonhas nacionais dos últimos tempos --, foi agora a vez dos candidatos a advogados terem sido "apanhados" a copiar infantilmente. Com maior determinação do que no caso do CEJ, a OA anulou prontamente as provas dos 13 "malandros", que, contudo, poderão repeti-la em Setembro.

Marinho e Pinto defendeu a exclusão daqueles candidatos da magistratura. No caso destes candidatos a advogados, não: «Os juízes vão julgar os outros, é diferente».

Por muito diferentes que sejam, por muito mais elevada que seja, como é, a responsabilidade ético-social dos juízes, não deixa de ser plausível a ideia de que Marinho e Pinto está a ser corporativista, atenuando a infantil e irresponsável malandrice dos candidatos a advogados. Dir-se-ia que, já no acesso à Ordem, os advogaditos estão a treinar a melhor forma de ludibriar a lei, como quem diz, a melhor forma de criar diferenças individuais injustas perante a lei, ao conseguirem, por artimanhas ilegítimas, fazer com que os interesses de determinado indivíduo consigam prevalecer injustamente face aos dos outros. Nesse sentido, o advogado tem também uma responsabilidade ético-social elevada, que o obriga a defender (advogar) precisamente a justiça, que envolve sempre uma equidade perante a lei e uma veneração da verdade!

Esta atitude positiva (pelo menos, não negativa) face à fraude vem desde as mesas da escola, onde a pedagogia romântica aliada a algum laxismo docente (a começar, muitas vezes, pela inoperância dos órgãos directivos e pedagógicos das escolas), tem vindo a permitir a "liberdade" de actuação dos aprendizes de ser humano e a excluir toda e qualquer (boa) autoridade do adulto face ao desvio da criança e do jovem. Seria bom que se começasse a repensar -- finalmente! -- as finalidades da aprendizagem e da escola, a importância do saber e a magnanimidade dos princípios éticos da justiça e da verdade, caso não queiramos povoar a sociedade de falsos profissionais que defraudam legítimas expectativas dos seus concidadãos!

Boicote à racionalização da educação em Portugal

Nuno Crato, o Ministro da Educação e Ciência, está a tentar "arrumar a casa". Mas, ao que parece, as direcções gerais -- organismos intermédios do MEC -- poderão estar a boicotar as reformas e alterações racionalizadoras do sistema, que Nuno Crato está a levar a efeito.

Dois exemplos: há dois dias, era para acabar com os cursos de Educação e Formação de Adultos, ontem as escolas receberam um email a determinar a continuação destes cursos; há dois dias, o concurso por destacamento por ausência de compenente lectiva (DACL), a que muitos professores efectivos terão de recorrer por falta de horário, realizar-se-ia de 27 de Julho e 2 de Agosto, ontem foi alterada a data e passou a ser de 1 a 5 de Agosto.

Sera crível que estes avanços e recuos tenham sido ordens directas do MEC? Pelo contrário, Nuno Crato parece uma pessoa bastante determinada, coerente e racional para ter cometido tais erros. Trata-se, certamente, de boicote protagonizado por essa corja de luminárias que gravitam nessas direcções gerais em torno do empregozito e da militância partidário-ideológica e que, tal como fizeram a David Justino -- outro ME verdadeiramente reformista --, estão a tentar impedir, terroristamente, o trabalho honesto, rigoroso e racional de "arrumar a casa", uma casa que vive há muito numa bagunça insana.

Solução: o Ministro Nuno Crato terá que afirmar a sua autoridade e começar a arrumar a casa desde cima!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

A importância da avaliação de desempenho docente

A escola presta um serviço público, ao mesmo tempo demasiado importante e complexo. Tanto devido à sua importância transcendente, como devido à sua enorme complexidade, o serviço prestado pela escola tem, necessariamente, de ser devidamente pensado, organizado, gerido e executado. É por isso importante que todos os intervenientes na prestação deste serviço sejam devidamente qualificados, competentes e empenhados, desde os governantes que tomam decisões estruturais, até aos professores que ensinam, passando pelas estruturas hierárquicas intermédias. A avaliação de desempenho docente é um dos instrumentos imprescindíveis para que o serviço prestado pela escola à sociedade seja gerido e executado tendo em vista a efectiva qualidade.

Há muitos professores que não compreendem esta perspectiva da escola, enquanto instituição que deve prestar contas à sociedade – uma sociedade cada vez mais complexa, no mínimo diferente – e que, por isso, deve ela própria estar em constante aperfeiçoamento e que, para estar em constante aperfeiçoamento, tem que ter processos de avaliação das suas práticas. Muitos professores – aqueles de que se conhece opinião – continuam a negar toda e qualquer avaliação, transmitindo uma concepção, por vezes, algo serôdia, de qualquer modo sempre surrealista da escola, como local onde os professores vão todos os dias ensinar, os alunos aprendem e está tudo bem. Quando não está, é porque é o governo ou a gestão ou os pais ou alunos ou… ou… Esquecem-se que, além de todos estes factores – que naturalmente interferem, por vezes de modo profundamente negativo, no processo educativo –, também o desempenho docente é um factor fulcral, senão o factor fulcral, e que pode ter escolhos a ultrapassar, que pode ter defeitos a anular, bem como aspectos a melhorar. E esquecem também – porque lhes falta uma visão de gestão, tout court – que a sociedade precisa de saber (tem esse direito) qual a qualidade do desempenho da escola, em geral, e dos professores, em particular. Como esquecem – por falta de uma perspectiva sociológio-política, digamos, liberal – que a sociedade tem o direito de exigir qualidade à escola e aos professores, uma qualidade possível, expectável, planeada. E esquecem que, para a escola ser devidamente gerida, para que possa fazer elevar, com eficácia, a qualidade do serviço prestado, para que possa servir devidamente a sociedade, tem que ter processos eficazes de avaliação.

Uma escola de qualidade é uma escola devidamente organizada, em que há um órgão de gestão ocupado por professores devidamente formados na área da gestão e administração escolar. Em que há estruturas intermédias ocupadas por professores devidamente formados em gestão escolar ou supervisão pedagógica ou com grau académico mais elevado ou com provas dadas (têm que ser objectivas) de uma experiência de qualidade excepcional. Em que há professores que são acompanhados, periodicamente, por supervisores pedagógicos, que os avaliam formativamente e que os classificam, de modo a que a gestão da escola possa saber exactamente o que é preciso fazer para melhorar o serviço prestado. Tudo isto para que possa existir um ambiente de qualidade (na gestão e execução), de responsabilização e de prestação de contas. Tudo isto de uma forma de tal maneira bem organizada, rigorosa, intelectual e profissionalmente elevada que quem chega como professor a uma escola destas se sinta “como peixe na água”: alguém que gosta de tal maneira de ser professor, que encara com grande maturidade, serenidade e entusiasmo até o facto de ter uma hierarquia qualificada que lhe exige qualidade e a quem responde directamente, de ter uma avaliação supervisionada, que o ajuda a melhorar o que faz menos bem ou a consolidar o que faz melhor e que, portanto, faz parte de uma instituição (um colectivo organizado) que presta um serviço de reconhecida qualidade.

Não há, pois, prestação de serviço educativo de qualidade sem uma gestão organizada, planeada e supervisionada desse mesmo serviço. Mas para isso é fundamental a consciencialização dos professores para este quadro paradigmático em que nos encontramos.

É, por isso, urgente elevar a qualidade da reflexão que os professores que estão hoje nas escolas portuguesas fazem do seu trabalho e da sua missão, da organização e missão da escola. Ser professor integrado numa instituição escolar é tão complexo como fulcralmente importante. Não é mais uma actividade simples nem automaticamente importante!

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Avaliação de Desempenho Docente -- uma sugestão!

Eis um bom exemplo -- do District of Columbia, U.S.A. -- da eficácia produzida por um modelo de avaliação docente, rigoroso, objectivo e a pensar naquilo que se deve pensar -- melhorar o desempenho dos professores.

Quando se pensa num novo modelo para Portugal, seria bom dar, definitivamente, um grande e firme passo no sentido da efectiva qualidade do ensino em Portugal. Aguardemos.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Uma boa apologia dos exames

Há um ano, Aires Almeida, destacado professor de Filosofia e membro da Sociedade Portuguesa de Filosofia, publicava no Público uma apologia dos exames nacionais ("Valorizar os exames para valorizar a escola"), com a qual concordo, em geral, dado que destrói alguns preconceitos (uns de mero senso comum, outros marcadamente ideológicos) face aos exames e apresenta alguns bons argumentos para os tornar um indispensável instrumento (entre outros) de avaliação dos alunos e do sistema de ensino e um importante meio de recredibilização da escola.

Eis o texto integral:

«Aproximam-se os exames nacionais. Por esta altura milhares de estudantes do ensino secundário começam a sentir alguma ansiedade. Tal ansiedade, se não for excessiva, pode até nem ser indesejável. Ao logo das suas vidas pessoais e profissionais, os jovens irão provavelmente passar por situações idênticas, em que, num par de horas, muita coisa importante pode estar em jogo. É bom que estejam preparados para enfrentar tais situações e que sejam mesmo capazes de as encarar como oportunidades a aproveitar.

As coisas parecem complicar-se para alguns estudantes apenas quando não conseguem controlar a ansiedade e ficam num estado de grande nervosismo. Mas isso só acontece porque a realização de exames se tornou, no percurso escolar dos estudantes portugueses, uma coisa rara. Estivessem os estudantes habituados a exames e certamente seriam encarados com naturalidade.
Mas para quê fazer exames, afinal? Algumas pessoas acreditam que os exames nacionais não trazem qualquer vantagem ao processo de avaliação das aprendizagens dos estudantes e que, portanto, são dispensáveis. Há mesmo quem diga que os exames empobrecem e distorcem o processo de avaliação contínua desenvolvido pelos professores ao longo do ano lectivo. Argumentam frequentemente que 1) uma prova de exame nacional não permite avaliar a diversidade de aprendizagens e competências adquiridas durante todo um ano lectivo; que 2) é incorrecto e injusto deixar que o futuro dos alunos se decida numa só prova, podendo eles nem sequer estar nos seus melhores dias; que 3) tratam de forma igual o que é diferente, na medida em que os percursos de aprendizagem de cada aluno são os mais diversos e que 4) não permitem medir com o rigor apregoado o conhecimento dos alunos.
Acontece que nenhum desses argumentos é sólido. Curiosamente, alguns acabam por se refutar a si mesmos.

Atente-se no primeiro. É certo que nenhuma actividade ou instrumento de avaliação permite, isoladamente, avaliar todas as aprendizagens adquiridas pelos alunos. Mas isso só milita a favor da ideia de que a avaliação deve ser tão diversificada quanto possível. Ora, é uma verdade conceptual que um processo de avaliação sem exame nacional é menos diversificado do que um processo de avaliação com exame nacional. Dado que o exame nacional não substitui os instrumentos utilizados pelos professores nas aulas, antes se lhes acrescenta, ele contribui para enriquecer o processo de avaliação, ao invés de o empobrecer.

O segundo argumento tem subjacente uma premissa falsa, a saber, que tudo se decide numa prova de duas horas. Mas as provas de exame apenas contribuem, de forma algo modesta, para a média final de cada disciplina. De resto, ainda que isso não fosse falso, o mesmo raciocínio poderia ser aplicado a cada um dos testes realizados nas aulas. Também aí os alunos podem não estar nos seus melhores dias. Será, pois, que os testes também não devem contar? E será que, recorrendo ao mesmo tipo de argumento, se poderá anular a tal entrevista decisiva a que nos submetemos para obter o tão desejado emprego?

O terceiro argumento é simplesmente inconsistente com a existência de programas nacionais para cada disciplina. Se há programas nacionais, é suposto que os alunos cheguem ao fim do percurso tendo aprendido as mesmas coisas, independentemente do modo como lá chegaram.

Por sua vez, do facto de os exames não medirem tão rigorosamente quanto se supõe os conhecimentos adquiridos não se segue que os exames não tenham qualquer rigor. E muito menos se pode concluir que sejam dispensáveis. As melhores previsões meteorológicas também podem não exibir o rigor desejável, mas isso não as torna dispensáveis.

Em contrapartida, há várias boas razões para a existência de exames nacionais. Em primeiro lugar, introduzem um elemento de maior transparência e equidade no processo de avaliação dos alunos, permitindo também avaliar melhor o próprio sistema. Em segundo lugar, estimulam a excelência do ensino muito mais do que qualquer processo de avaliação dos professores, pois é sobretudo aí que eles se sentem realmente postos à prova quando ensinam. Em terceiro lugar, promovem nos estudantes uma atitude cognitivamente mais responsável e empenhada.

Todavia, isto só é possível com provas de exame bem concebidas. Uma prova bem concebida é uma prova que contenha alguma previsibilidade, mas que não apele ao “empinanço”. É, além disso, uma prova não demasiado longa e prolixa, dando tempo aos alunos para pensarem em vez de se exigir deles respostas apressadas. E não se devem deixar de fora disciplinas estruturantes, como a Filosofia.
A escola tem sido cada vez mais socialmente desvalorizada nos últimos tempos. Os exames podem contribuir para a revalorizar e lhe dar alguma credibilidade social. Uma escola sem exames é uma escola que corre o risco de se descredibilizar irremediavelmente.»

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Fotografias...

“Sombra de auto-retrato”
(Playa Bávaro, Punta Cana, Abril 2011)
© Miguel Portugal
“Mulher com barco à vela”
(Playa Bávaro, Punta Cana, Abril 2011)
© Miguel Portugal
“Apocalipse Now”
(Rio Chavon, República Dominicana, Abril 2011)
© Miguel Portugal

domingo, 10 de julho de 2011

Chamamento onomástico


Sócrates, o filósofo grego, questionava os jovens atenienses sobre o bem, a justiça -- a vida boa. Qual "moscardo", na expressão do inclassificável Nietszche, Sócrates, o filósofo grego, dedicava-se com paixão à filosofia, porque queria saber a verdade -- sobretudo, o que é, efectivamente, viver bem -- e conduzia os jovens com ele, porque queria levar os outros a prescrutá-la. Pensou até à morte, fez pensar e inspirou, não só Platão, mas toda uma civilização, a nossa, que ainda hoje prossegue na senda da verdade e dos mais eminentes e profundos valores humanos, do bem, do belo, da justiça.

Sócrates, o ex-Primeiro Ministro português, pediu licença sem vencimento na Câmara da Covilhã, onde detém o lugar de engenheiro técnico, para ingressar numa instituição universitária internacional. Vai estudar filosofia para Paris. Quando, há uns dias, soube desta revelação socrática, pensei em José Sócrates numa daquelas imensas salas da altiva Bibliotheque François Miterrand, a desfolhar L'Homme Revolté ou Le Mithe de Sisiphe, de Albert Camus, a embrenhar-se na dialéctica de Être et le Néan, de Sartre, ou a reflectir no problema ético com Soi-Même Comme an Autre, de Ricouer, sempre com l'inspirant de la Senne para lá das vidraças. Quando muito, a perder-se em movimentos descendentes e ascendentes pelas monumentais escadarias da galáctica Bibliotheque, com o vento na face, a pensar, com Camus, como, «em política, são os meios que justificam os fins»!

Mas, nunca me ocorreu que Sócrates, o ex-Primeiro Ministro português, fosse para a Sorbonne... participer à la Philosophie! Pensar nos erros -- sobretudo, de caracter ético -- cometidos nos últimos anos? Aprofundar a arte retórica?! Ou, quiça même, desbravar um novo e exaltante filão do pensamento filosófico-político contemporâneo...

Seja como for, trata-se de um verdadeiro e raro "chamamento onomástico", que leva Sócrates, o ex-Primeiro Ministro português, na peugada de Sócrates, o filósofo grego,... à Paris!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

No melhor pano cai a nódoa!

A ex-Ministra da Educação foi acusada pelo DIAP de Lisboa do crime de prevaricação, por ter contratado ilicitamente João Pedroso – investigador universitário e irmão do ex-dirigente do PS, Paulo Pedroso – para consultor jurídico do Ministério da educação, entre 2005 e 2007:

«A acusação salienta que os contratos foram feitos com violação das regras do regime da contratação pública para aquisição de bens e serviços. «Tais adjudicações, de acordo com os indícios, não tinham fundamento, traduzindo-se num meio ilícito de beneficiar patrimonialmente o arguido João Pedroso com prejuízo para o erário público, do que os arguidos estavam cientes» -- afirma, em comunicado, a Procuradoria-geral-distrital de Lisboa.»

Que chatice! Afinal, pessoa tão qualificada e de estatura moral elevada também foi enredada na teia dos favores que o estado socialista foi prestando aos seus apoiantes, que se serviram do país para enriquecer, já que pouco ou nenhum serviço de qualidade acabaram por proporcionar em troca. A comprovar-se, é vergonhoso!

No melhor pano também cai a nódia, principalmente quando não parece haver uma preocução especial por se não macular!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Novo governo

Já é conhecida a constituição do XIX Governo Constitucional. A minha primeira reacção vai para uma surpresa, que me deixa francamente muito expectante e até com um certo entusiasmo -- Nuno Crato é o novo Ministro da Educação!

Nuno Crato tem um pensamento claro acerca da educação, no sentido de valorizar o esforço e o rigor de todos para uma aprendizagem real, verdadeira de todos e tem sido um crítico activo, nos últimos anos, das políticas educativas socialistas, que têm deprimido a educação e o ensino em Portugal, com o facilitismo desumanizante que introduziram.

Além de alguém com pensamento fundamentado sobre educação e ensino, é alguém com experiência, justamente, de ensino (embora, apenas a nível do ensino superior), não só em Portugal como nos E.U.A., o que lhe poderá servir de mais valia para o seu trabalho de reorganizar o ensino em Portugal.

Depois, a sua distância face aos partidos, a sua independência partidária, pode promover um distanciamento saudável e necessário face a grupos de pressão, tornando mais eficaz as reformas que são imprescindíveis.

Esperamos que tenha o savoir-faire estritamente político para explicar as medidas e persuadir os principais agentes -- professores e pais -- da sua necessidade e justeza.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Fotografias

“Serpentear”
(Altos de Chavon, Rio Chavon, República Dominicana, Abril 2011)
© Miguel Portugal
“Sombra com catamaran #1”
(Isla Saona, República Dominicana, Abril 2011)
© Miguel Portugal
“Sombra com catamaran #2”
(Isla Saona, República Dominicana, Abril 2011)
© Miguel Portugal

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Inginheiro-pseudogestor persuasivo, precisa-se!

Engenheiro deformação (peço desculpa, esqueci-me do espaço!), exímio gestor de dinheiros públicos (também só vai "representar" dinheiros privados!), não há dúvidas de que José Sócrates poderia ser um excelente representante de grandes empresas brasileiras em ascensão no mundo junto de Portugal e da EU!

Claro que o interesse reside nos conhecimentos diplomáticos que Sócrates acumulou nos últimos 6 anos e também no pressuposto de que os negócios serão melhores se estiverem perto da política, o que é uma perversidade que ainda move os grandes interesses económicos e faz babar (e enriquecer) os políticos.

Afinal, Sócrates vai mesmo tratar da sua vida. Não há motivo para preocupações.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

A noite eleitoral

O PSD teve uma clara vitória, apesar de ter ficado aquém da maioria absoluta. Afinal, Passos Coelho sempre conseguiu fazer o (primeiro) favor ao país de, para já, ter destronado José Sócrates do poder. Parece ter galvanizado as pessoas e parece ter um espírito combativo, as qualidades para travar o combate de vencer as adversidades em que estamos mergulhados e espera-se agora que detenha também a tão necessária mestria de escolher os melhores, para formar o próximo governo.

O PS, honrosamente ou não, perdeu. Fica a demissão de Sócrates de Secretário-Geral do partido, num discurso desadequadamente longo -- narcísico --, soberbo de emoções quanto baste e, proclamado como que por um guru religioso, apoteótico (imagine-se se tivesse ganho!), a alimentar o transe hipnótico dos acólitos até ao último estertor. (Estes, embriagados pelo discurso do líder espiritual, até apuparam os jornalistas quando estes exerciam o seu livre múnus de perguntar -- a hipnose não os deixou recordarem-se de um dos tão caros valores socialistas: a liberdade de expressão e de imprensa!) Fica também o insólito: um dos candidatos a suceder a Sócrates, ainda teve tempo para descer do elevador do Altis e "anunciar", sobre o cadáver fumegante do Secretário-Geral demissionário do seu partido, a sua própria candidatura!

O PP de Portas, apesar da excessiva vaidade que o vem caracterizando, conseguiu, não ser eleito Primeiro-Ministro, mas um bastante bom resultado, a proporcionar uma confortável maioria com o PSD. De bicos de pés, lá foi espreitando com força para dentro do próximo governo. Mas a relação de forças não é significativamente diferente da última coligação. Há que ir com calma e responsabilidade.

A esquerda foi a grande derrotada da noite. Afinal, os "partidos da troika" foram alvo das preferências de 80% dos eleitores, o que prova que apenas uma franja cada vez mais pequena do eleitorado embarca ainda no julgamento sumário e niilista do liberalismo com  preocupações sociais, que parece alicerçar, apesar de mais uma crise, o seu trilho no caminho da história. Apesar da CDU ter tido um resultado bom (mais um deputado), Louça terá que lançar um debate de ruptura numa força política a perder a força e em perigo de implusão.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

"Não gostei do que disse"

José Sócrates esteve presente numa conferência ("Governar Portugal") e até respondeu a perguntas de empresários. Um deles, aproveitou para tecer críticas à sua governação e estilo de fazer política, afirmando mesmo sobre Sócrates: "os seus actos não reflectem as suas palavras" (seguida de apláusos por grande parte da plateia).

Sócrates não gostou: "Não gostei do que disse. Eu faço o meu melhor para que os minhas palavras respondam sempre aos meus actos". Mas o "animal político" não se ficou por aqui e não perdeu oportunidade de vincar o seu estilo: "não lhe reconheço nenhuma autoridade moral para me dizer que as suas palavras correspondem melhor aos seus actos do que as minhas".

José Sócrates, eleito democraticamente PM, não reconhece autoridade moral a um cidadão de um país democrático, cuja constituição, que Sócrates jurou cumprir, prevê uma ampla liberdade política e de expressão. A contradição é clara. E o estilo de Sócrates também: anti-democrático!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Dar a pensar...

[Sobre verdade, objectividade e subjectividade]

[2]

«No que respeita a questões simples como a inclinação das ruas, ninguém considera que o Ega e o Pedro discordam. É obvio que a discordância é meramente aparente. Mas quando o Ega afirma que Bach é melhor que Pérotin e o Pedro o nega veementemente, o que dizer? É nestes casos que é tentador dizer que é meramente uma questão de gosto pessoal, e que gostos não se discutem. Mas, se virmos bem, passamos a vida a discutir precisamente os gostos – nas críticas literárias, nas histórias da arte, e mesmo entre amigos. Se levássemos a sério a ideia de que os gostos não se discutem, não o faríamos.

Pense-se como seria estranho o Eusebiozinho afirmar que os traços que acabou de fazer numa parede eram bem melhores, como arte, do que as melhores obras de Amadeo Modigliani. Quando o Ega começasse a pôr isso em causa, o Eusebiozinho acabaria a discussão dizendo que os gostos não se discutem. O que diríamos disto? Diríamos que o Eusebiozinho quer apenas manter a ilusão de que é um artista superlativo, quando não o é de facto. Mas se os gostos são apenas uma questão subjectiva, ele tem razão: é um artista superlativo para ele, mesmo que o não seja para os outros. E acabou a conversa.

Geralmente, não consideramos que acabou a conversa porque consideramos que podemos errar ao fazer juízos estéticos, políticos e outros. Mas se levássemos sério a ideia de que tais juízos são subjectivos, não conseguiríamos errar. Pense-se na tolice que seria alguém dizer “Ele gosta muito da salada de alface, mas está enganado”. Nos casos em que realmente estamos perante gostos subjectivos, não podemos estar enganados. Nos casos em que podemos estar enganados, não pode tratar-se de simples gostos subjectivos. Tem de ser algo mais.

Consideramos que uma obra de arte é boa quando cremos que tem propriedades que fazem um ser humano, com aproximadamente as mesmas capacidades cognitivas e sensoriais que nós temos, valorizá-la. Inversamente, quando vários seres humanos, nomeadamente os mais bem informados, consideram uma obra boa, é estranho que alguém discorde disso; se isso acontecer, consideramos que essa pessoa não viu bem ou não compreendeu correctamente aspectos importantes da obra. Não dizemos apenas que é uma questão de gosto. O consenso dos mais bem informados seres humanos da área é indício de que essa pessoa isolada está enganada.

Desidério Murcho, A Filosofia em Directo (Lisboa: Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2011) 92-4.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

"Tendência para o 'fast-food' educativo"

As palavras são de Manuel Maria Carrilho referentes a José Sócrates, acerca da sua concepção de educação, que subjaz, nomeadamente, a uma certa forma de utilizar o programa Novas Oportunidades para criar a ideia artificial e enganosa de qualificação e instrução, que tem é que ser rápida e indolor. A questão não é, naturalmente, impedir o reacesso de adultos à escolarização, à instrução e qualificação, o que seria absurdo; a questão é que Sócrates tem passado a ideia nefasta de que aprender, saber é algo demasiado fácil e rápido. Nada mais afastado da realidade: aprender nem sempre é fácil e quanto maior for a rapidez, tanto mais baixa será a qualidade.

Quando é um socialista a afirmar esta ideia, crítica, mas muito simples e intuitiva, o argumento de Sócrates segundo o qual Passos Coelho ofende pessoas quando critica estas Novas Oportunidades cai completamente por terra -- afinal, há ideias importantíssimas para o país em discussão; é pena que a Sócrates não lhe interesse discuti-las!

Novas oportunidades para entrar em Medicina!



Afinal, qualquer pessoa com o mínimo de bom senso (sim, pois, é coisa que não abunda, eu sei...), concordará que alguma coisa está errado com estas Novas Oportunidades; porque, no mínimo, parece ser um processo que cria várias injustiças; no máximo, é mais um contributo para a degradação do ensino e disseminação da cultura em Portugal. Mas isto são radicalismos ideológicos, sectarismos de classe ou, mais subtilmente, pessimismos incómodos! São, são!

terça-feira, 17 de maio de 2011

Dar a pensar...

[Sobre verdade, objectividade e subjectividade]

[1]

«A ideia comum é que áreas científicas como a física ou a engenharia são objectivas, ao passo que áreas como as artes ou a política são subjectivas. Supostamente, no primeiro caso, haveria uma representação da realidade tal como ela é – espelhar-se-ia a realidade –, ao passo que no segundo caso seria apenas uma questão de opinião pessoal, precisamente por ser impossível espelhar qualquer realidade.

O primeiro aspecto a sublinhar é que a ideia de que algumas das nossas convicções são subjectivas tem de pressupor a objectividade para não ser incoerente. Pois a ideia é que as opiniões estéticas do Ega, por exemplo, são subjectivas – mas, sob pena de incoerência, não pode ser subjectiva a nossa opinião de que ele tem as opiniões que tem. Que o Ega tem as opiniões que tem é uma verdade tão objectiva como as verdades da física sobre os átomos. (…)

O segundo aspecto a sublinhar, e este é crucial, é que uma verdade pode ser relacional sem ser subjectiva em qualquer acepção suficientemente densa para a distinguir de verdades objectivas. Imagine-se que o Ega está numa ponta da Rua do Carmo e o Pedro na outra. Do ponto de vista do Ega, a rua é a descer; do ponto de vista do Pedro, a rua é a subir. Mas é uma mesma realidade que está na origem dos dois juízos, e os dois juízos são perfeitamente compatíveis. Apenas temos de compreender que quando o Ega diz que a rua é a descer quer dizer que do seu ponto de vista é a descer; do ponto de vista do Pedro é a subir. E se trocassem de posição, a rua seria a subir para o Ega e a descer para o Pedro.

Nada disto tem que ver com a relatividade da rua em si; a sua inclinação não é relativa: é perfeitamente objectivo que quando se está numa ponta, a rua é a descer desse ponto de vista, e quando se está na outra é a subir. Caso o Ega, colocando-se do ponto de vista do Pedro, afirmasse que a rua é a descer, diria objectivamente uma falsidade.»

Desidério Murcho, A Filosofia em Directo (Lisboa: Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2011) 91-2.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Fotografias

“Mar e céu #1”
(Playa Bávaro, Punta Cana, Abril 2011)
© Miguel Portugal

“Mar e céu #2”
(Playa Bávaro, Cabeza de Toro, Punta Cana, Abril 2011)
© Miguel Portugal
“Mar e céu #3”
(Mar das caraíbas, ao largo da Isla Saona, República Dominicana, Abril 2011)
© Miguel Portugal
“Mar e céu #4”
(Piscnas naturais, mar das caraíbas, ao largo da Isla Saona, República Dominicana, Abril 2011)
© Miguel Portugal
“Mar e céu #5”
(Playa Bávaro, Punta Cana, Abril 2011)
© Miguel Portugal

quinta-feira, 12 de maio de 2011

A estratégia do papão

Tal como era preciso ter cuidado com os comunistas, porque "comem criancinhas ao pequeno almoço", assim também há que fugir do PSD, porque "é um partido ultra-liberal". Este é o argumento central da estratégia do PS de Sócrates para tentar evitar a vitória da "direita" nas próximas eleições. A metáfora que pretendia afastar os eleitores dos comunistas, terá funcionado, em tempos, devido às baixas qualificações dos eleitores e ao medo que os fazia sentir. O mesmo se pretende com este conceito de "ultra-liberal": como o povo não sabe o suficiente de economia e menos ainda de teoria política, parece fácil para Sócrates e acólitos enganar: afinal, ninguém sabe muito bem o que é isso de ser liberal, mas a receita é passada como se de um papão se tratasse; imagine-se ser ULTRA-liberal -- a coisa deve ser bem mais medonha!

O que sustenta este argumento do PS são, basicamente duas falácias (argumentos inválidos, que parecem válidos e, por isso, são enganadores, manipuladores): um apelo ao medo (não faças isso, que é perigoso!) e um jogo de palavras indefinidas e, de qualquer modo, de que o auditório não domína o conceito (atira-se com um termo estranho, que as pessoas não sabem o significado, e quer-se fazer crer que é algo nefasto, ficando assim o auditório sem armas para se defender, pois, não sabendo o que significa ser liberal nem ultra-liberal, não pode formar uma opinião crítica).

Já alguém se questionou o que é isso de ser liberal (o prefixo "ultra" é apenas uma hipérbole, politicamente inconsequente)? Será mesmo "mau"? Quanto a "maldade", já se vê, o Liberalismo terá tanto como o terá o Socialismo e o Conservadorismo -- não é uma categoria que se aplique a sistemas de ideias políticas! Afinal, são sempre as ideias que importa discutir.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Fotografias

“Raízes #1”
(Punta Cana, Abril 2011)
© Miguel Portugal
“Raízes #2”
(Punta Cana, Abril 2011)
© Miguel Portugal

“Raízes #3”
(Punta Cana, Abril 2011)
© Miguel Portugal

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Ponto de situação

A contrapartida do resgate do FMI, BCE e UE a Portugal é uma demonstração de que a política do governo PS não estava certa e, pior, nos conduziu para o abismo. A maioria das medidas que terão agora de se implementadas não estavam previstas no PEC IV e vão, portanto, para além dele – afinal, como muitos há muito vêm dizendo, era preciso reduzir drasticamente na despesa do estado. O PSD disse “basta”, porque acreditava que já tardava o fim das ilusões em que nos mergulhou o PS. Muitas medidas contidas no memorando de entendimento entre o FMI e o governo português e principais partidos tinham já sido anunciadas como inevitáveis pelo PSD.

Mas o sr. Eng.º Sócrates (bem secundado pelos seus mais queridos acólitos), no seu bom estilo retórico de ponta, veio dizer ao país aquilo que não estava no acordo de resgate. Que maravilha! Supostamente “nada” daquilo que os mauzões do PSD prognosticavam ia acontecer. Mas repare-se, a título de exemplo, como uma boa dose de inteligência, alguns conhecimentos de teoria da argumentação e de história do pensamento ocidental sobejam para desmontar o famoso discurso de José Sócrates: não haverá privatização da CGD, mas haverá necessariamente privatização de parte dela e de outras empresas públicas, quanto mais não seja para tornar o estado “mais pequeno”; o PS teria “salvo” o serviço nacional de saúde, que continuará (nesta parte, Sócrates até se engasgou!) a ser tendencialmente gratuito, mas o que é inevitável é, como o PSD já tinha proposto, que os que têm mais rendimentos paguem mais, subindo as taxas moderadoras; não se perde o 13º e 14º meses, mas aumentam-se, necessariamente, os impostos. E depois, outra coisa para a qual era necessário vir alguém de fora fazer(!) – a diminuição de cargos dirigentes da administração central, a extinção, fusão, remodelação de institutos públicos e fundações e, espero, a reestruturação e redimensionamento das freguesias.

Quem vai encabeçar a execução deste “recomeço”?

Por um lado, temos um PM em gestão da sua própria imagem e sobrevivência, do seu poder e influência, agarrado à dependência da retórica manipuladora, com um único intuito – protelar o mais possível o seu fim, enganando os eleitores. Do outro, um líder partidário ocupado na constituição de um futuro governo, politicamente forte e tecnicamente competente, e com ideias, há já algum tempo, coincidentes com aquelas que agora se perfilam como necessárias para salvar o país da bancarrota.

A escolha parece fácil.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Fotografias

“Palmeiras #1”
(Punta Cana, Abril 2011)
© Miguel Portugal
“Palmeiras #2”
(Punta Cana, Abril 2011)
© Miguel Portugal
“Palmeiras #3”
(Punta Cana, Abril 2011)
© Miguel Portugal
“Palmeiras #4”
(Punta Cana, Abril 2011)
© Miguel Portugal

I got you! I await for you...

Os EUA terão morto Bin Laden. O líder fundamentalista, autor moral do atentado terrorista de infeliz proeminência na história, terá sido alvejado, esta madrugada, nas montanhas do Paquistão, com um tiro na cabeça. Exorcismo para o povo americano e até para uma boa parte do mundo ocidental, é também um reatear de um rastilho adormecido. Os EUA preparam-se já para uma eventual retaliação da ainda viva(?) Al-Qaeda. O fervor da guerra do terror reacende-se. 

domingo, 10 de abril de 2011

Houve um congresso do PS? Que festa!


O chamado “Congresso” do PS – um partido pluralista, como gostam de o apelidar! – não parecia, de todo, um congresso. Foi mais uma festa. O unanimismo era tal, que de congresso do PS não teve praticamente nada. Um líder de saída, mas aclamado em sinal de que agora “estamos contigo, Zé!”, embora seja mais: “óh Zé!”, não nos queremos enterrar contigo! E, depois, não se percebe muito bem como não se tenha falado da situação grave do país, das negociações com Bruxelas e com o FMI, do futuro próximo de austeridade… Foi um "congresso" de um partido apostado em ludibriar até ao estertor final de Sócrates. Um congresso ficcional, num país ficcionado!

Salvo talvez as excepções de Jaime Gama, que lembrou a responsabilidade de um partido que, apesar de estar em campanha, também ainda é governo num altura extremamente complexa, e de Ana Gomes (para quem «a rosa não cheira bem»), que apresentou as principais críticas a esse mesmo governo, que poderiam ter sido assinadas por qualquer outro político minimamente atento ao interesse público, o que aconteceu este fim-de-semana mais parecia, como alguém disse, uma missa da IURD! E com um momento alto, de rasgado recorte místico – António Vitorino em êxtase, “Óh Zé! Óh Zé! Óh Zé!”

É, pois, com naturalidade que o Ministro das Finanças do governo PS afirme que o pacote de austeridade deve ser negociado com os partidos da oposição (!) e que um comissário europeu tenha que mandar calar esta gente! Este é o partido, agora ainda aturdido aos pés de Sócrates, que pretende fazer passar a mensagem do bom samaritano, único guardião nacional face ao suposto ataque dos bárbaros e, mais importante, fonte inesgotável de ideias (todas verdades absolutas, claro) para uma fase decisiva para o país, agora que terá mesmo que findar o limbo de embustes e retórica manipuladora.

Não é de estranhar que, ao olhar para Portugal, os leitores de “Astérix” por essa Europa e mundo civilizado fora soltem um estarrecido “estes portugueses são loucos!!” Mas ao contrário da lendária aldeia gaulesa, que resistiu heroicamente ao invasor romano, este cantinho da Europa ficará para a história como um magote de crianças, que, às turras, escarneciam do seu povo, enquanto deixavam os financiadores à espera!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Política de teleponto

Sócrates é, como sempre foi, o político espectáculo. Usa e abusa das velhas, mas revitalizadas e bem evoluídas técnicas retóricas. Manipula a bel-prazer. Faz o que quer da vida pública portuguesa. Banqueteia(m)-se.


Como profere o seu homónimo grego no texto platónico, a retórica apenas manipula um auditório ignorante, que não sabe o suficiente para julgar criticamente – «a retórica não tem necessidade de conhecer a realidade das coisas, basta-lhe uma certa técnica de persuasão que ela inventou para parecer, perante os ignorantes, mais sábia do que os sábios» (Platão, Górgias 459c).

O “nosso” Sócrates e assessores sabem-no bem! «Não é uma maravilhosa facilidade, Sócrates, sem qualquer estudo das outras artes, graças unicamente a esta, poder estar à altura de todos os especialistas?» (Idem.)

E Sócrates pode, como sempre pôde, brincar com as pessoas, jogar com o presente e o futuro de todos os portugueses, em troca de uma vida faustosa como político (e não só), para si e para os seus, mais directos ou indirectos colaboradores.

Mas isso não tem importância – ainda há 33% que gostam que brinquem com eles, que os manipulem, que os enganem… que os iludam – qual «ópio do povo». Marx defendia que, para o povo, o “ópio” mais atordoante era a religião; hoje, o “ópio” é a ilusão de uma vida cómoda, consumista e fácil! E quem melhor parece poder dar-nos tal paraíso nublado?!