Fotografias...
"Árvore ao céu"
Mirandela, Janeiro 2008
© Miguel Portugal

lúcida quanto perturbadora, que coloca em causa alguns dos ideais mais influentes no Ocidente e nos obriga a reler a história das ideias e a repensar criticamente os fundamentos da nossa civilização, bebendo uma sempre benfazeja atitude céptica, que caracteriza o pensamento deste professor de Pensamento Europeu na London School of Economics.
A UNESCO proclama, desde 2005, um dia Mundial para a Filosofia, que este ano se comemora hoje. Os “dias de” são sempre efémeros, artificiosos e podem transmitir a sensação de que, os restantes dias são dias banais, desprovidos daquela atitude, pensamento ou acção, que se comemora naquele dia. Comemorar hoje a Filosofia, numa época ainda carente de um mais alargado pensamento crítico, rigoroso e aprofundado, talvez não seja, ainda assim, má ideia.
O jornal Público publicou, ontem, na secção de "Cartas ao Director", o meu texto crítico de um documento enviado para as escolas pela Direcção-Geral da Inovação e Desenvolvimento Curricular, supostamente para regulamentar a lei que implementa a educação sexual nas escolas. Esperemos que se comece a ser um pouco mais exigente na qualidade das políticas educativas e da direcção da educação em Portugal. Até para dirigir é preciso saber.
O belíssimo documentário de Jorge Pelicano, “Pare, escute, olhe”, sobre a linha do Tua, ontem visto por uma sala cheia, em Mirandela, mostra, magistralmente, algumas das questões centrais que estão em jogo na apressada e monológica construção da barragem do Foz-Tua:
Decorrerá, de amanhã a domingo, no Centro Cultural de Mirandela o “Cine H2O”, o I Festival Ibérico de Imagens. Oportunidade para visionar curtas metragens sobre tema actualíssimo, já que o problema das limitações dos recursos hídricos, em articulação com as exigentes condições ambientais e ecológicas, assomará, ao lado dos problemas energéticos, como um dos grandes problemas (senão o principal) de sobrevivência da espécie humana.

Neste início de ano lectivo, os professores receberam, a par de legislação, uma proposta de conteúdos mínimos para a “área” de educação sexual nas escolas, lavrada pela Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular. O capítulo referente ao ensino secundário começa assim:
Ensino da sexualidade pode ser prejudicial, diz o sexólogo Nuno Monteiro Pereira, a propósito das V Jornadas de Sexologia da Universidade Lusófona. Novidade! Pois pode. Será um conservador? A sexologia, uma ciência conservadora?! Não, infelizmente as coisas não são tão simples assim (leiam-se as razões invocadas pelo especialista, no link em cima).
Iniciou-se às 10:30, na AR, um debate sobre política educativa, promovido pelo Grupo Parlamentar do PSD, com a presença de Santana Castilho, Mário Nogueira e João Dias da Silva, entre outros. Leia-se o texto oferecido aos presentes por Santana Castilho, que abriu o debate, aqui: profundamente lúcido e arrasadoramente crítico.
Margarida Moreira foi substituída por António Leite na Direcção Regional de Educação do Norte. Que pena! Como vamos poder agora exercitar os nossos dotes exegéticos a tentar ler os seus emails, peças vetustas de comunicação institucional? E como viver agora nas escolas, sem aquele receio (pois medo não se pode dizer) que sentiam os nossos pais por pensarem diferente? Os professores do Norte do país estão já em depressiva saudade, tamanho era o reconhecimento do trabalho de mérito, competência e humanismo, para não dizer das qualidades especificamente pedagógicas de Margarida, como a capacidade de expressão escrita, de comunicação, de diálogo com os seus pares e, sobretudo, de consciência democrática e espírito de serviço público.
Está neste momento a acontecer no CCB um concerto pela banda "Bang on a Can All Stars" (conjunto híbrido, a meio caminho entre o ensemble de câmara e a banda rock, fundado em 1987 pelos compositores Michael Gordon, David Lang e Julia Wolfe), que revisita algumas das mais importantes obras do compositor norte-americano Steve Reich, compostas entre os finais da década de 1960 e os anos 80.
A longa metragem "Pare, escute, olhe", de Jorge Pelicano, um documentáriuo sobre a linha do Tua, ganhou ontem seis prémios, três num festival em Seia e outros três no DocLisboa. Mais uma oportunidade para quem ainda não se apercebeu do que está em jogo na construção de uma barragem no rio Tua, de se abrir à reflexão crítica sobre uma obra destruidora de uma das linhas ferroviárias de montanha mais belas do mundo.
Quando, há algum tempo atrás, se elevou a bandeira da liberdade de expressão para legitimar as famosas “caricaturas de Maomé” contra a rebelião dogmática e “atrasada” dos fundamentalistas islâmicos, tudo pareceu demasiado simples: o caricaturista tinha o direito fundado na liberdade de expressão de caricaturar o profeta e o povo islâmico não tinha o direito de o impedir. Na altura talvez tenha sido dos poucos a lembrar o facto de civilização ocidental e mundo islâmico viverem em dois paradigmas culturais e ético-políticos de tal modo distintos, cuja incomensurabilidade exigia algum cuidado nas apressadas comparações – apesar do princípio liberal da liberdade de expressão ser, no Ocidente, um princípio inquestionável, a sua universalização, não sendo fácil, requer uma prudência acrescida (talvez fosse bom ter consciência de que tal princípio muito dificilmente poderá ser valorizado, muito menos de forma imposta, no mundo islâmico ainda muito pouco secularizado).
Géopolitique (Paris, 2005) n.º 89
Estão a surgir propostas para a revitalização política do PSD, um dos maiores partidos portugueses (ver aqui ou aqui). Marcelo Rebelo de Sousa, a marcar, indelevelmente, a agenda política do partido, ou Morais Sarmento, com a concordância da distrital de Lisboa avançam com a ideia de que é imperioso agora reflectir sobre os princípios e ideias políticas centrais do partido, relegando para segundo plano a questão dos nomes candidatos a suceder a Manuela Ferreira Leite. 
A Campanha eleitoral para as Autárquicas é sempre interessante. Pode muito bem servir para verificar as diferenças, profundamente ideológicas por vezes, entre os candidatos. No exemplo de Sintra e a propósito de um dos problemas do concelho - a insegurança e criminalidade -, duas soluções paradigmáticas: Fernando Seara, candidato do PSD, propõe mais efectivos da PSP e GNR; Ana Gomes, euro-deputada socialista, critica, afirmando que a insegurança e criminalidade não se resolvem apenas com medidas securizantes, "é preciso investir nos equipamentos sociais, por exemplo com uma maior iluminação das ruas..." Solução (?) tipicamente socialista, para mostrar que se é diferente dos ditos conservadores sociais-democratas.