“Variações #1”
(Mirandela, Novembro 2009)
© Miguel Portugal
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“Variações #2”
(Mirandela, Dezembro 2009)
© Miguel Portugal
O país atravessa uma grave crise, com origem internacional, mas também com os seus eternos contornos nacionais: desemprego, economia débil, formação fraca e travestida de muitos jovens e adultos, dívida pública galopante... Por isso, este ano a iniciar requererá uma verdadeira arte política: pensar em verdadeiras soluções para estes problemas e delinear estratégias de futuro para o país, dialogar com outros partidos (tarefa primordial do governo) e procurar consensos. Tudo aquilo que, verdadeiramente, não foi ainda feito até agora.
Medina Carreira é uma daquelas vozes de tal modo incómodas que facilmente é afastado da discussão como derrotista, pessimista, "cinzentão", "bota-abaixo", entre outros termos que procuram afastar as pessoas da discussão de ideias. Desta feita, defendeu que o ensino em Portugal é uma "trafulhice" e isto não só nas ditas "novas oportunidades", mas um pouco por todo o sistema de ensino. Assim é, mas pouco parecem adiantar estas críticas, pois é sempre mais fácil, política e socialmente, iludir, dizendo que toda a gente aprende tudo e mais alguma coisa, do que, realisticamente, possibilitar a todos os jovens um verdadeiro ensino de qualidade.


lúcida quanto perturbadora, que coloca em causa alguns dos ideais mais influentes no Ocidente e nos obriga a reler a história das ideias e a repensar criticamente os fundamentos da nossa civilização, bebendo uma sempre benfazeja atitude céptica, que caracteriza o pensamento deste professor de Pensamento Europeu na London School of Economics.
A UNESCO proclama, desde 2005, um dia Mundial para a Filosofia, que este ano se comemora hoje. Os “dias de” são sempre efémeros, artificiosos e podem transmitir a sensação de que, os restantes dias são dias banais, desprovidos daquela atitude, pensamento ou acção, que se comemora naquele dia. Comemorar hoje a Filosofia, numa época ainda carente de um mais alargado pensamento crítico, rigoroso e aprofundado, talvez não seja, ainda assim, má ideia.
O jornal Público publicou, ontem, na secção de "Cartas ao Director", o meu texto crítico de um documento enviado para as escolas pela Direcção-Geral da Inovação e Desenvolvimento Curricular, supostamente para regulamentar a lei que implementa a educação sexual nas escolas. Esperemos que se comece a ser um pouco mais exigente na qualidade das políticas educativas e da direcção da educação em Portugal. Até para dirigir é preciso saber.
O belíssimo documentário de Jorge Pelicano, “Pare, escute, olhe”, sobre a linha do Tua, ontem visto por uma sala cheia, em Mirandela, mostra, magistralmente, algumas das questões centrais que estão em jogo na apressada e monológica construção da barragem do Foz-Tua:
Decorrerá, de amanhã a domingo, no Centro Cultural de Mirandela o “Cine H2O”, o I Festival Ibérico de Imagens. Oportunidade para visionar curtas metragens sobre tema actualíssimo, já que o problema das limitações dos recursos hídricos, em articulação com as exigentes condições ambientais e ecológicas, assomará, ao lado dos problemas energéticos, como um dos grandes problemas (senão o principal) de sobrevivência da espécie humana.

Neste início de ano lectivo, os professores receberam, a par de legislação, uma proposta de conteúdos mínimos para a “área” de educação sexual nas escolas, lavrada pela Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular. O capítulo referente ao ensino secundário começa assim:
Ensino da sexualidade pode ser prejudicial, diz o sexólogo Nuno Monteiro Pereira, a propósito das V Jornadas de Sexologia da Universidade Lusófona. Novidade! Pois pode. Será um conservador? A sexologia, uma ciência conservadora?! Não, infelizmente as coisas não são tão simples assim (leiam-se as razões invocadas pelo especialista, no link em cima).
Iniciou-se às 10:30, na AR, um debate sobre política educativa, promovido pelo Grupo Parlamentar do PSD, com a presença de Santana Castilho, Mário Nogueira e João Dias da Silva, entre outros. Leia-se o texto oferecido aos presentes por Santana Castilho, que abriu o debate, aqui: profundamente lúcido e arrasadoramente crítico.
Margarida Moreira foi substituída por António Leite na Direcção Regional de Educação do Norte. Que pena! Como vamos poder agora exercitar os nossos dotes exegéticos a tentar ler os seus emails, peças vetustas de comunicação institucional? E como viver agora nas escolas, sem aquele receio (pois medo não se pode dizer) que sentiam os nossos pais por pensarem diferente? Os professores do Norte do país estão já em depressiva saudade, tamanho era o reconhecimento do trabalho de mérito, competência e humanismo, para não dizer das qualidades especificamente pedagógicas de Margarida, como a capacidade de expressão escrita, de comunicação, de diálogo com os seus pares e, sobretudo, de consciência democrática e espírito de serviço público.
Está neste momento a acontecer no CCB um concerto pela banda "Bang on a Can All Stars" (conjunto híbrido, a meio caminho entre o ensemble de câmara e a banda rock, fundado em 1987 pelos compositores Michael Gordon, David Lang e Julia Wolfe), que revisita algumas das mais importantes obras do compositor norte-americano Steve Reich, compostas entre os finais da década de 1960 e os anos 80.