terça-feira, 22 de maio de 2007

Introdução à Banda Desenhada

Há 100 anos nascia Georges Remy, mundialmente celebrizado com o pseudónimo Hergé, criou um dos mais impressionantes personagens de B.D. de sempre – Tintim! Os belgas comemoram-no prolixa e orgulhosamente, como um dos mais brilhantes filhos da Bélgica!
Os dois primeiros álbuns foram polémicos: “Tintim no país dos Sovietes” retrata as atrocidades políticas da União Soviética, no traço monocromático algo exagerado de Hergé; “Tintim no Congo”, sobre a colónia belga, com todos os preconceitos colonialistas belgas e todo o paternalismo europeu da época.
Mas Hergé veio a retratar-se, corrigindo mais tarde esses excessos de juventude. Tornou-se um perfeccionista, pesquisando e documentando cuidadosamente os seus álbuns geográfica, política, tecnológica e culturalmente ricos. Desde então, o adolescente/jovem adulto e a sua fox-terrier Milu, não mais deixaram de percorrer o mundo, sempre atentos a grandes questões da humanidade: do alto Tibete à planura árida dos desertos das arábias, onde desmantela uma rede de tráfico de pessoas (em “Carvão no porão”, os negros são retraçados e restituídos à sua humanidade); das inventadas ad hoc Sildávia e Bordúria, onde o pequeno repórter, que não tinha tempo para o ser, salva um reino de um golpe de estado fascista, às guerrilhas dos “Pícaros” nas florestas tropicais da América Latina, em que Hergé ironiza muito bem os castristas de Cuba; da Indonésia à China; do palácio de Moulinsart, sempre repleto de peripécias de uma comicidade refinada e serena,... até à Lua!
Desde 1929, que Hergé foi construindo, sobretudo com Tintim, um autêntico curso introdutório à B.D. – personagens consistentemente brilhantes, narrativas ritmadas, humor inteligente e crítica científico-tecnológica, social e política atenta.
Numa era de luta contra as iliteracias, Les Aventures de Tintin podem muito bem ser um apetitoso guia introdutório dos jovens (dos 7 aos 77?!) à História do Séc. XX e até também à Geografia e Antropologia Cultural!

1 comentário:

Porfirio Silva disse...

Com as minhas desculpas, permito-me sugerir, em nome da BD, uma visita e eventuais críticas à posta Apuleio, O burro de ouro - Manara, A metamorfose de Lúcio .