quinta-feira, 18 de junho de 2009

Bons resultados. Bons exames?

A sra. ME, Maria de Lurdes Rodrigues, prosseguindo uma política educatica, sobretudo, propagandista, disse hoje que os resultados (que não conhece ainda exactamente!) nas provas de aferição do ensino básico são óptimos, melhores ainda que os do ano passado... Fantástico!
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Mas é já um infeliz lugar comum e pode tornar-se até cansativo lembrar que os resultados dos exames arquitectados por este ME podem muito bem não testar verdadeiramente os conhecimentos e competências que seria desejável que os alunos obtivessem no final de cada ciclo de ensino. É fácil compreender que o modo mais fácil de obter melhores resultados -- interesse maior deste governo -- é fazer testes de conhecimentos e competências mais fáceis, mais acessíveis a um maior número de alunos. Claro que as pessoas, em geral, parecem gostar desta estratégia. Mas quem sofrerá as consequências são sempre as crianças e jovens, que na futura vida adulta terão de enfrentar, não facilidades, mas uma realidade exigente, para a qual estarão tanto mais preparados quanto mais terão tido oportunidade de treinar essa exigência, quanto mais conhecimentos tiverem obtido e quanto mais desenvolvidas tiverem sido as suas competências. As crianças e jovens portugueses, infelizmente, não parecem estar para tal preparados.
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Teremos, pois, que continuar à espera de melhores exames, mais rigor no ensino e avaliação, mais estímulo para o esforço de aprender e saber -- tesouros belíssimos e fecundos que têm sido substraídos aos jovens portugueses!

7 comentários:

Edgar disse...

Falando do que conheço por experiencia propria, o exame de Biologia que fiz ontem não foi assim tão facilitista quanto isso, até foi bastante exigente. Mas também ouvi dizer que o de Portugues foi muito facil. O que é um bocado contraditorio

Abraço

Edgar disse...

Então depois do exame de fisica e quimica A, não posso discordar mais do que o stor escreveu! Acho que os "analistas politicos" se enganaram, pelo menos no que toca aos exames que eu fiz. Abraço

Rui Ramos disse...

O grau de dificuldade destes exames foi mediano, pelo menos dos que eu fiz. Mas a verdade, é que apesar de medianos o pessoal tira notas inferiores às que tem na pauta (na maioria dos casos), isto sim remete-nos para o facto de haver algo errado no ensino portugues. Se fossem de dificuldade elevada como em 2006 haveria 2 ou 3 positivas por turma, quando 90% da turma tinha positiva na pauta. Acho que essencialmente é necessaria uma intervençao geral neste sistema de ensino, porque se os exames fossem como os dos países nórdicos aí as estatisticas iriam reflectir a realidade do ensino portugues! Um Abraço

Miguel Portugal disse...

Meus caros Edgar e Rui, o problema dos exames é que, sendo um instrumento de avaliação de conhecimentos e competências, quanto mais rigor e exigência adequada existir na sua elaboração mais terão os alunos de se esforçar para os realizar; se os alunos se esforçarem, terão mais possibilidades de verdadeiramente aprender conhecimentos e desenvolver competências.

Para muitos alunos e pais parece melhor os exames serem mais fáceis. Mas não é isso que pensam, por exemplo, professores universitários, em geral, e empresários. Os primeiros argumentam que os alunos têm chegado às universidades com cada vez menos conhecimentos e competências e com cada vez pior atitude face ao esforço necessário para aprender coisas mais complexas; os emprsários (que dão emprego aos jovens licenciados e outros) o que querem é pessoas verdadeiramente qualificadas (independentemente das "boas notas" que possam ter!) para exercerem funções exigentes. Se as pessoas que trabalham nas empresas forem melhor qualificadas, será melhor para a economia, será melhor para as pessoas, que podem ganhar mais e ter mais emprego.

Querer que os alunos aprendam mais, como querem os professores, e querer que as pessoas estejam melhor qualificadas para exercer a sua profissão, como querem os bons empresários, é querer um bem para as pessoas. Querer um ensino mais exigente e veritativo é querer um bem inestimável para os outros. Isto chama-se altruismo!

Portanto, tudo indica que uma educação mais exigente com exames rigorosos é melhor do que uma educação mais facilitista com exames fáceis.

edgarafecto disse...

Exactamente...
Mas eu também não afirmei o contrário, só disse que os exames que eu fiz não eram assim tão facilitistas como toda a gente dizia que iam ser. De resto, concordo plenamente que os exames sejam exigentes, ou não seriam eles exames nacionais.

Miguel Portugal disse...

E não fosses tu um bom aluno - um aluno, além de inteligente e empenhado, que percebeu como é importante, mesmo que nem sempre imediata e necessariamente agradável, aprender!

Abraço e boa sorte para os restantes exames!

MCF disse...

''Mas a verdade, é que apesar de medianos o pessoal tira notas inferiores às que tem na pauta (na maioria dos casos), isto sim remete-nos para o facto de haver algo errado no ensino portugues.''

Pois, a história de que a culpa é sempre dos alunos não é a verdadeira.

E quando aos exames serem mais exigentes, concordo plenamente. O próprio ensino devia ser mais exigente, nao estou a falar em mais livros, mas em melhores metodos...