segunda-feira, 8 de junho de 2009

Contra ventos e marés... a verdade!

Contra todas as expectativas, sondagens e menosprezos mais ou menos incautos de alguns media e políticos intra e extra muros, o PSD de Manuela Ferreira Leite ganhou as eleições para o Parlamento Europeu. O PS de José Sócrates perdeu, num acto eleitoral que, ao contrário do que o líder quiz fazer supor, foi conduzido com os olhos postos nos assuntos nacionais, que não deixam de ser também europeus, e na governação. O país deu um sinal de contestação às políticas socialistas e cresce, agora sem margem para dúvidas, uma alternativa de governo expressa pelo voto real dos portugueses.
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Um pouco por toda a Europa, os governos liderados por partidos socialistas foram penalizados. Paulo Rangel tem razão: os europeus, apesar da crise económica e financeira global, não querem ser governados por governos socialistas.
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O liberalismo não está morto, necessita apenas de melhor regulação. O socialismo continua(rá) a ser uma utopia "perigosa" para a sociedade, cujos erros do passado a Europa não esquecerá tão cedo.
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Os temas mais caracterítica e profundamente europeus não foram, mais uma vez, devidamente tratados nesta campanha eleitoral. Tanto pior e por duas razões: a causa principal é a urgência da discussão dos problemas nacionais, que naturalmente se sobrepõem aos europeus e, por outro lado, a titubeante afirmação democrática das instituições europeias também não tem dado oportunidades de efectiva participação democrática responsável.
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Tanto para a credibilização da importância da acção política ao nível nacional como europeu, é necessário mais esclarecimento dos cidadãos, num estilo político de informação, humildade e verdade, não de manipulação, arrogância e propaganda.

4 comentários:

Rui Ramos disse...

A verdade é que Manuela Ferreira Leite apostou em Rangel com bastante oposiçao dentro do partido e conseguiu ganhar a aposta, venham agora as legislativas. A nível europeu a direita obteve uma forte maioria, mas, ainda em Portugal, há que salientar a subida do BE que, com mérito dos seus militantes, e uma estratégia bem delineada, sustentada como sugeriu Marisa Matias, também venceu e pretende surgir como uma alternativa de esquerda que eu acredito que tenha sucesso. Na Suécia, o Partido Pirata, inovador, que defende o direito dos internautas, conseguiu um mandato europeu, um situaçao no minimo caricata à qual deve ser prestada atenção.

Por outro lado, os níveis de abstenção cresceram, o que não é nada bom. Militantes de vários partidos referem o facto como o descontentamento dos cidadaos perante a situaçao economico-financeira mundial mas acho que é um discurso um bocadinho soft. As pessoas nao votam porque nao sao sensibilizadas para a situaçao, nao so porque nao estao contentes, quando tudo corre bem e há consenso é facil de votar mas como nao havia os europeus nao se quiseram chatear, e isto torna mais dificil ressuscitar o tubarao da economia europeia.

Um abraço

Miguel Portugal disse...

Bom comentário, Rui. Concordo, em geral, com a tua análise, que tocou em questões fundamentais destas eleições.

Abraço.

Edgar disse...

Na minha sincera opinião, quem ganhou mesmo foi a abstenção e não o PSD. E neste facto discordo com o Rui. Eu cá acho que as pessoas não foram votar por puro comodismo ou não vivessemos nós em Portugal. O que Portugal precisa não é de um governo incorruptivel e perfeito, é de um 25 de Abril das mentalidades.

Miguel Portugal disse...

Para a abstenção diminuir, neste caso concreto das europeias, é necessário fazer mais pela cidadania europeia e definir melhor o estatuto político-democrático desta União. Quanto à revolução das mentalidades, claro que tens razão Edgar: é necessário esclarecer, esclarecer e responsabilizar, responsabilizar. É que a política democrática não vive sem participação mínima e minimamente esclarecida e responsável.

Abraço.