segunda-feira, 10 de março de 2008

100.000!


Não é apenas um número mágico. Tem significado político – afinal, 2/3 dos professores manifestaram a sua indignação e reprovaram as reformas da Ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues.

Mas o significado político envolve uma dupla obrigação política:

1. Obrigará MLR a abrir-se ao diálogo efectivo (e não apenas ilusoriamente propagandístico!) com os professores, cedendo onde deve ceder, no sentido de rearquitectar aquilo que talvez ainda possa vir a ser uma verdadeira e necessária reforma educativa – basta, pois, de reformas confusas, irresponsavelmente direccionadas para a ilusão das estatísticas e, portanto, tão indesejáveis, quanto mesmo, em tantos casos, inexequíveis, hipotecando cada vez mais o futuro, num tempo que deve ser de decisivo resgate à precariedade educativa.


(daqui)

2. Obrigará, por seu lado, os professores a fazerem um esforço (mais um – este, derradeiro) no sentido de sistematizarem melhor as suas críticas, procedendo, de modo o mais organizado possível, a um levantamento de problemas do sistema de ensino actual em geral e, em particular, das suas escolas, bem como no sentido de pensarem profundamente nas possíveis soluções teoricamente arreigadas e técnica e concretamente exequíveis, no sentido de modernizar o sistema de ensino, o funcionamento das escolas e, com certeza, o desempenho geral dos professores (pelo menos de alguns ou em alguns momentos). Mas o objectivo essencial e último será sempre, decididamente, melhorar efectivamente os resultados das aprendizagens de conhecimentos e competências dos alunos. A avaliação de desempenho dos professores apenas fará sentido num conjunto mais profundo de reformas do sistema de ensino e avaliação dos próprios alunos. É claro que esta obrigação seria, naturalmente, do ME em exercício ou de um outro, alternativo, que na oposição se erguesse com propostas substanciais. Como o primeiro está a falhar profusamente e o segundo irresponsavelmente não existe – teremos que ser nós a fazê-lo!

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